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quarta-feira, 21 de maio de 2014

Que se Acendam as Luzes - Capítulo 20 (ÚLTIMO CAPÍTULO)



         Carla encarava Valéria enquanto levantava. Então a policial começou a soltar gargalhadas e disse, batendo palmas:
         – Parabéns, Carla! Você é um monstro nota dez. – Valéria começou a chorar – Primeiro, eu sou sequestrada, depois, descubro que posso morrer. Eu tinha vindo pra São Paulo em busca de um futuro melhor, e não de um pesadelo. Um pesadelo real, que eu vivi a cada segundo, a cada suspiro que sofri não só na Argentina, mas também na Bolívia.
         – Quem é você? Do que tá falando? – perguntou Carla balançando a cabeça.
         – Não se faça de burra, desgraçada. Como você é sínica! Sua maldade me encanta, sabia? Ah, mas como eu queria que esse momento acontecesse. Como eu queria!
Valéria se aproximou da cantora, que se afastava para trás, dizendo:
         – Sai! Não se encoste a mim!
Valéria deu um chute com seu salto alto na barriga de Carla, a qual caiu do chão novamente. A ira tomou conta de Valéria, e a mesma começou a chutar o rosto da vilã, de um lado, e de outro.
         – Para! Sai! – gritava Carla enquanto tentava se levantar e parar de ser chutada. Finalmente a cantora conseguiu se levantar.
         – Tá com medo? – disse Valéria – Você tem medo agora, né Carla? Só tem medo quando não tem saída. É uma vagabunda mesmo, né?
Carla correu apressadamente para seu quarto, enquanto Valéria a seguia. A cantora entrou no quarto e agarrou a mala. Valéria segurou seu braço, mas Carla lhe golpeou na barriga com uma joelhada. A PM caiu no chão. Carla saiu e trancou-a. Antes de sair, a traficante passou na cozinha e pegou uma faca, colocando dentro de sua mala. Ao verificar seus documentos e tudo mais, ela saiu do apartamento, correndo para o elevador.

         Dentro do quarto, Valéria tentava arrombar a porta. Então ela decidiu acabar logo com aquilo. Contou até cinco e meteu um enorme chute na porta, que se abriu. Ela voltou a correr do percurso do corredor até o elevador.
         – Droga! – gritou ela ao ver que o mesmo estava sendo usado.
Quando Carla saiu do elevador, para correr até o estacionamento, para pegar seu carro, foi que Valéria tinha conseguido entrar no primeiro. Esperou um minuto e por fim desceu. Quando as portas se abriram ela correu até o estacionamento. Ao chegar lá, Carla estava dentro de seu automóvel, que saiu segundo depois em disparada. Valéria não perdeu tempo e fez o mesmo.

         A perseguição continuou. Carla desviava bruscamente dos outros veículos enquanto Valéria também fazia o mesmo. As rodas do automóvel da policial pareciam uma visão de ótica, pois a velocidade era inacreditável: ultrapassava os cento e vinte quilômetros por hora.

         Era a vez das duas passarem em uma rua cujo estava praticamente abandonada. Estava mais para um beco. Carla sentia que a velocidade de seu Kia Soul diminuía. Foi então que o veículo parou do nada. Ela tentou dar partida, mas não conseguiu. Desesperou-se e decidiu descer, pois viu que Valéria “tinha se perdido” na perseguição.
         Ela deu a volta no automóvel, olhando para trás e levou um “baque”. Uma mulher ruiva a encarava com uma arma na mão, apontando para seu rosto.
         – Tentando fugir, Carla?
A cantora não mediu as consequências e correu pelos becos da rua paulistana, enquanto Valéria a perseguia dando tiros com o revólver. Carla começou a ficar desesperada. Então ela percebeu que estava num beco sem saída, e era muito escuro, pois já passavam das dez da noite.
         – Não, por favor! – disse Carla mostrando a palma de uma mão para Valéria, que se aproximava, enquanto a outra abria a mala e pegava um objeto.
        
         A policial se distraiu e abaixou a arma. Foi aí que sentiu uma forte dor na barriga. Carla tinha enfiado uma faca na mesma. Valéria caiu no chão, sangrando, enquanto Carla olhava a cena sem dó nem piedade:
         – Praticamente eu venci – Disse Carla – Só vou te falar uma coisa antes de fugir e deixar você morrer: não se meta com Carla Chrustins.
E se virou, voltando para as avenidas centrais de São Paulo com o carro de Valéria, a qual soluçava naquela rua fria, enquanto o sangue escorria por seu corpo.


         A grande vilã dessa história tão dramática seguia com passos apressados o saguão do aeroporto de Congonhas. De repente ela percebeu que alguma coisa estava errada. As pessoas ali começaram a gritar e correr. Ela se viu sozinha no meio daquele lugar. Sentiu que o mundo girava em torno de si. Os gritos continuaram e ela pôde ouvir alguns barulhos, ou melhor: tiros. E um deles, atravessou fortemente seu peito. Ela olhou para o local, e ao ver o sangue, desmaiou. Mas não era a única. Cerca de vinte pessoas foram assassinadas naquele “massacre”, que acontecera no aeroporto, e que com certeza ficaria na história.




        – Valéria? – disse uma voz masculina.
Valéria abriu os olhos e percebeu que estava deitada numa cama. Num hospital. Mas não era o hospital Trindade. Ao seu lado, Renato segurava sua mão.
         – Onde estou? Aquela vagabunda fugiu. – disse ela.
         – Não, ela morreu num massacre no aeroporto de Congonhas. Foi uma das vítimas. E você, sua teimosa, perdeu muito sangue com o ferimento. Mas não se preocupe, pois o hospital já possuía seu tipo sangue.
         – Como me encontraram? Eu estava numa rua quase que deserta.
         – Seu GPS estava em seu bolso, esqueceu?
         – Ah sim, agora me lembrei. – ela fitou Renato – Sabia que te amo?
         – Sim. E eu também. – Disse ele antes de tacar um beijo na boca da PM.

        
         Aquele mês, não só para a cidade de São Paulo, mas para todo o Brasil, foi um mês de tragédias. Cento e trinta e dois mortos durante o incêndio no hospital Trindade e vinte assassinados no massacre no aeroporto de Congonhas.
         A notícia de que Carla chefiava uma quadrilha se espalhou no mundo como nunca. E ninguém lamentou sua morte, sabendo do que ela era capaz. Para Estela, Antônio e Ingrid que foram presos, a sensação de solidão os vencia. Na verdade, Ingrid estava feliz, pois mesmo estando presa, sabia que ajudou a salvar a vida de algumas pessoas. E ficou ainda mais feliz quando ouviu de Robson a seguinte frase “Quando você sair da cadeia topa sair comigo e comer uma pizza?”.
         Renato também teve sorte. Mesmo Ingrid sendo uma ex-bandida, ele decidiu ouvi-la e publicou seus livros. Meses se passaram e foi um sucesso. Eram raras as pessoas que não leram os livros de Renato, o orgulho de sua amada: Valéria, a nossa guerreira. Quem realmente estava feliz. Pois ela tinha conseguido tudo o que queria: fazer justiça, ou simplesmente colocar os responsáveis por destruírem sua vida atrás das grades. Depois de tanto sofrimento, finalmente ela estava segura, além de ter recebido uma carta dos pais, que estavam orgulhosos com a luta que a mulher travou durante esses anos.

      E naquele momento, andava pelas ruas de São Paulo, com o uniforme de Polícia Federal: bota de couro, macacão e boné, enquanto seus cabelos ruivos estavam amarrados a um lindo rabo de cavalo.
“Agora eu tenho certeza de verdade que essa é minha missão: ajudar as pessoas, e fazer justiça” – pensou ela, que seguiu em frente cumprindo exatamente isso.

FIM


COLABORADOR- LUIZ GUSTAVO 
DIREÇÃO DE ARTE - MÁRCIO GABRIEL
ESCRITO POR - WILLIAM ARAUJO
REALIZAÇÃO - TV VIRTUAL
© 2014 - TODOS OS DIREITOS RESERVADOS

segunda-feira, 19 de maio de 2014

Que se Acendam as Luzes - Capítulo 19 (PENÚLTIMO CAPÍTULO)


Ao som de “DNA de Adorador – Gusttavo Lima”...
        

        Não adiantou. Depois que os carros de bombeiros chegaram ao local que continuava em grandes chamas, os automóveis da polícia federal seguiram para a delegacia, enquanto Estela chorava incondicionalmente olhando o desastre.
         – Não pode ser! O meu sonho foi por água abaixo.



Ao som de “Skyfall – Adele”...
         Sílvia beijava calorosamente seu marido, que já estava na terceira idade, enquanto o helicóptero que levava o casal seguia para o Rio de Janeiro.
         – Eu te amo, Bernardo – disse Sílvia depois que parou de beijar o mesmo – Você é realizador de meus sonhos. Se não fosse você...
         – Você precisa agradecer ao meu empregado, que te deu carona depois que você sofreu aquele acidente – Respondeu Bernardo Gustamont, o dono de uma das maiores fábricas de papel do Brasil.
Então o helicóptero continuou voando os ares paulistanos, e seguindo para os ares cariocas.



Ao som de “Flashback – Calvin Harris”...
         – A sua irmã vai ficar bem, querida. Mas não agora. Ela sofreu muito. Os sentimentos dela envenenaram-na. – Disse uma psicóloga loira que encarava Dafne, a qual estava de mãos dadas com Jorge. Os dois olhavam Suelen pela vidraça da porta de um hospício, onde Suelen dizia para outra garota que também estava com problemas psicológicos:
         – Eu vou me vingar, sabia? Eu vou matar o Sebástian e arrancar o dinheiro dele. Aí, se você quiser, eu te dou um pouquinho, porque eu sou humilde.
         – Ah, eu aceito, amiga.
         – Mas só um pouquinho, tá?
         Quando chegaram à mansão de Sebástian, Jorge beijou Dafne, que estava triste.
         – Você se arrepende em não ter feito o velório de seu pai?
         – Não, Dafne. Foi melhor.
Dafne se sentou no sofá.
         – Nossa vida tá acabada. Minha mãe assassinada, assim como seu pai morto por minha irmã, que está louca.
         – Não fale isso – ele se sentou ao lado dela e segurou sua mão. – Estamos juntos pro que der e vier. Confie em mim.
Então eles se beijaram apaixonadamente.



Ao som de “I Need Your Love – Calvin Harris (com Ellie Goulding)”...
         Na delegacia, todos batiam palma para Ingrid, que sorria feliz com os aplausos.
         – Você merece, Ingrid – disse Robson – Nos deu um voto de confiança.
         – Fico feliz em ter ajudado vocês, de verdade. Eu me sinto tão feliz. Não me sinto uma criminosa, como antes.
Valéria se aproximou da médica:
         – Eu não to acreditando que você fez isso, pois no começo, você queria me matar. Muito impressionante como as pessoas mudam.
Então o tom da mulher com a beleza oriental mudou de feliz para preocupado.
         – O que foi Ingrid? – perguntou Renato, que segurava a mão de Valéria.
Ingrid se sentiu incomodada em responder:
         – Como vocês sabem... Principalmente você Robson, toda quadrilha tem um chefe. E no caso desta, é uma chefa.
Robson se levanta, preocupado e encarando a moça.
         – Você quer dizer que a quadrilha de vocês tem uma chefa que está solta? – Ele fez uma pausa – Quem é?
Ela abriu a boca, e Valéria prestou toda a atenção no que ela disse:
         – Carla Chrustins.
Aquela palavra foi como um baque para todos.
         – Aquela Carla Chrustins? – perguntou Robson.
         – Sim, a cantora.
         – Mas isso não vai ficar assim – disse uma voz feminina – Essa Carla me paga.
Quando perceberam, Valéria já se encontrava correndo para seu carro.

Ao som de “She Wolf – David Guetta (com Sia)”...
         Estava de noite e Valéria seguia aceleradamente com seu carro pelas avenidas de São Paulo. Seu salto alto, ao bater no chão assim que ela desceu do automóvel, fez um enorme barulho. Valéria estava no prédio de Carla. A recepcionista disse:
         – Ninguém pode falar com ela, moça.
Valéria mostrou o crachá de polícia federal e subiu para o apart de Carla segundos depois.
         Ela estava no quarto, arrumando as malas desesperadamente, enquanto via na TV, que ficava na parede de seu quarto, o noticiário de que descobriram a quadrilha de tráfico de órgãos e que o hospital pra onde os órgãos eram levados tinha explodido.
    – Tenho que fugir o mais depressa possível. Ou me lascarei.
A campainha tocou.
    – Droga! Justamente agora? – Ela fechou as malas e correu até a porta. Abriu. Valéria olhou no fundo dos olhos da rival, que estava em sua frente. Com a ira que estava, poderia matá-la. Mas naqueles próximos segundos, uma sensação de insegurança e medo tomou conta de Valéria, que tascou uma enorme bofetada na cara de Carla, a qual virou seu rosto e caiu no chão.
Valéria colocou seu salto em cima da barriga da cantora e falou:
         – Finalmente cara a cara com a vagabunda que destruiu minha vida. Está pronta para seu fim?


COLABORADOR- LUIZ GUSTAVO 
DIREÇÃO DE ARTE - MÁRCIO GABRIEL
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sexta-feira, 16 de maio de 2014

Que se Acendam as Luzes - Capítulo 18


Ao som de “I Need Your Love – Calvin Harris (com Ellie Goulding)”...
     
     Robson continuava dizendo com a arma apontada para Estela:
         – É melhor descer essa ferramenta – fez uma pausa – Ou morre agora.
Calmamente, Estela colocou o bisturi na mesa. Então atrás de Robson, Ingrid entrou na sala, acompanhada de cinco policiais.
         – Traidora... É isso que você é, Ingrid! – Disse Estela apontando para a cara da mesma.
         – Posso ser traidora, mas fiz minha parte. Essa quadrilha já era.
Antônio decidiu falar também, apesar de estar com as mãos algemadas:
         – Vocês não podem nos prender. Estão em outro país.
Robson teve prazer em explicar.
         – A polícia boliviana liberou. A casa caiu.
Então todos os enfermeiros e os dois médicos, Estela e Antônio, foram levados para fora. Ao saírem na rua, alguns carros de polícia aguardavam os “bandidos”. Todos foram colocados no camburão. E os automóveis saíram segundos depois.


Ao som de “Lies – Mcfly”...
         Pronto! Ao passarem pelo saguão principal do aeroporto internacional de Congonhas, na grande São Paulo, Estela e Antônio foram fotografados e também filmados por aparelhos eletrônicos. Alguns repórteres ou jornalistas tacavam perguntas, mas nenhum dos médicos respondia:
         – Como vocês sequestram as pessoas pra arrancarem os órgãos?
         – Por que vocês têm coragem de acabar com a vida das pessoas?
         – Como vai ser de agora pra frente?
         – O que pretendem fazer depois que saírem da cadeia?



Ao som de “Where Have You Been – Rihanna”...
À medida que os jornalistas faziam as perguntas para os traficantes, Valéria, acompanhada das cinco garotas, continuava caminhando até a saída.
         Do lado de fora, Renato aguardava na rua, caminhando de um lado para o outro, inquieto. Foi então que uma linda jovem ruiva saiu pela porta junto com outras cinco.
         – Que gato – disse Andressa apontando para Renato – Ah se fosse meu namorado.
Valéria fitou o homem, e percebeu que ele fazia o mesmo. Não mediu esforços: descontroladamente, ela correu em direção a ele, assim como o último fazia. Durante o percurso até o encontro, Renato sentia seu coração voltar a bater fortemente. E Valéria sentia uma enorme vontade de abraçar Renato, sentindo seu corpo envolvendo o seu. Então eles se encontraram. Enquanto os carros daquela avenida buzinavam para eles saírem do meio da rua, Renato segurava a cabeça de Valéria. Cada mão do homem estava apoiada numa face da mulher.
         – Que saudades, Valéria. Eu te amo tanto, você nem imagina.
         – Eu também te amo, Renato. Como nunca vi isto?
         – Valéria, eu quero que saiba que estou arrependido de ter te julgado daquela forma e...
         – Psiu – Disse ela colando o dedo indicador na boca do amado – Não diga nada. Apenas me ame, Renato. Sou toda sua.
Renato aproximou seu rosto ao da policial. Os lábios de ambos se encontraram, causando um forte arrepio. Com o coração batendo aceleradamente, eles se beijaram com um amor tão puro e doce. E mesmo com as buzinas dos carros que não paravam de tocar, eles não tiravam a atenção de uma única coisa: o amor que existia ali.

“Você é meu homem. Como nunca enxerguei isso antes? Tola, sou tola! Abrace-me, me envolva com seus braços fortes e sensíveis e me envolva em seu amor. Proteja-me deste mundo selvagem de malvados e faça criar um elo entre nós: a segurança.”


Ao som de “S&m – Rihanna (com Britney Spears)”...
         Carla fez tanto sucesso com a música que gravou com a cantora Britney Spears, que ninguém, principalmente ninguém dos jovens, não viu o clipe de “We Are Divas”. Em questão de dias a música se tornou fenômeno internacional. Todos, principalmente os americanos, sabiam pelo menos um trecho da música das divas.
         Dentro de sua limusine, que estava sendo guiada por Abraão, Carla observava os fãs que batiam nas janelas de vidro brindado do veículo luxuoso, a fim de que pudessem quebrar e ao menos tocar a cantora. Mas ela nem imaginava que sua fama podia acabar de uma hora pra outra, ou simplesmente que uma bomba poderia explodir a qualquer momento.


Ao som de “Like a G6 – Far East Movement”...
         Os carros da polícia passavam em frente a um grande local de São Paulo: o hospital Trindade. E Estela, a dona daquele lugar tão grande, olhava o mesmo, observando sua estrutura. Observando o sonho de sua vida, o que sempre quis erguer. Então algo chamou a atenção de todos os motoristas que dirigiam em frente ao hospital. O mesmo “explodiu” e o local foi tomado por chamas. Algumas pessoas saíram correndo de dentro da enorme construção. Estela, sentada no banco de trás, e ao lado de Antônio, tentava arrancar as algemas de sua mão, a fim de descer e impedir que o hospital continuasse pegando fogo.
         – Meu hospital! Deixem-me sair! Meu hospital!
Em meio àquele desespero todo, e nas alturas, uma mulher de cabelos castanhos ria das chamas que invadiram o local.
         – Está feliz, Sílvia? – perguntou um homem de cabelos grisalhos, que segurava a mão da mulher.
         – Sim, muito feliz, meu amor. Finalmente consegui o que queria: me vingar da Estela.


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quarta-feira, 14 de maio de 2014

Que se Acendam as Luzes - Capítulo 17


Ao som de “Where Have You Been – Rihanna”...

         Robson não sabia se pulava de alegria, ou se prendia a traficante em sua frente logo de uma vez. Renato estava encarando a namorada, olhando nos fundos dos olhos da mesma. E foi aí que ele perguntou:
         – Espera aí, me deixa ver se entendo – ele apontou o dedo na cara dela – Você faz parte duma quadrilha, Ingrid?
Ingrid não respondeu, apenas voltou seu olhar para Robson, que perguntou com um sorriso:
         – Então a Valéria está entre essas garotas?
         – Sim, ela... – respondeu a médica.
Renato escutou o nome “Valéria”, e uma sensação de leveza o invadiu.
         – Cês tão falando da Valéria? A minha amiga?
         – Sim, Renato – Respondeu Robson – A Valéria foi vitima disso tudo. Presa por um crime que não cometeu. Tudo isso por culpa desses traficantes – Ele olhou para Ingrid – Tudo isso por culpa de sua equipe, senhorita.
Ingrid apoiou os seus cotovelos na mesa da delegacia e se pôs a chorar. Vendo o desespero da moça, Renato balançava a cabeça:
         – Que vergonha, Ingrid. E eu acreditando que o grande amor da minha vida era uma bandida.
Robson não gostou muito do que Renato dissera, mas decidiu ir mais além daquela conversa, rapando a garganta e perguntando à Ingrid:
         –Então diga. Onde elas estão?
Ingrid se levantou com os olhos encharcados de água, e respondeu numa voz baixa:
         – Numa cidade da Bolívia: La Paz.
Robson se levantou da cadeira, apavorado:
         – Os médicos estão indo pra lá?
         – Sim, devem estar quase saindo do Brasil. Amanhã cedo estão lá. Mas me escute, Robson – Aconselhou ela – Só eu posso mostrar a vocês o caminho.
         – E como podemos saber se você está pretendendo nos ajudar? – perguntou Robson.
Ingrid olhou para os dois homens em sua volta e respondeu:
         – Vocês têm que confiar em mim. Senão, não só a vida de Valéria já era, mas também de todas as outras garotas.
         – Não podemos perder tempo – disse Robson se levantando – Vamos até La Paz. E Ingrid vai com a gente.
         – Posso ir também? – perguntou Renato se levantando.
         – Não, melhor esperar aqui. Será arriscado, muito arriscado.
Renato ficou calado. Tinha que ouvir o delegado.


Ao som de “Skyfall – Adele”...
         Suelen estava no banheiro, tomando um banho de água quente. Ele ensaboou seu corpo bronzeado e logo depois o enxaguou. Ao sair do banheiro, ela pegou a toalha para limpar seu rosto. Quando ela tirou a mesma de sua face, um homem com uma arma na mão a fitava.
Suelen soltou um grito de pavor.
         – Sebástian? Como...? – perguntou ela surpreendida.
         – Acontece que você perdeu biscateira. Eu sou amigo do David, se não sabe. E você caiu direitinho na armadilha. – respondeu Sebástian.
         – Armadilha? Que armadilha? Do que cê tá falando, Sebástian?
Sebástian apontou a arma na cara da moça e respondeu:
         – Ele me contou que já te conhecia. E que você planejava algo contra mim. Pensou que ia me vencer, não é? Com esse plano de vingança? Ele apenas me deu um susto, Suelen. Acordei dentro do caixão e...

     Sebástian estava sem fôlego dentro daquela caixa, praticamente retangular, e estava com as mãos amarradas. Então a caixa se abriu e dois homens surgiram em sua frente, os quais o pegaram e desamarraram suas mãos. Ao entrar no carro dos capangas, David estava no volante e sorria, dizendo:
     – Sujeiras da vadia de sua mulher, meu amigo.

         Suelen ficou boquiaberta com a revelação, e rapidamente partiu pra cima do marido. A toalha saiu de seu corpo, e nua, ela lutava com Sebástian no chão.
         Na sala, Jorge e Dafne estavam sentados no sofá. Cada um deles lia um livro. Foi então que escutaram um grande barulho. Vinha do banheiro. Eles levantaram apavorados e correram até o local. Ao abrirem a porta, viram uma mulher nua em pé, com a arma apontada para um homem já de idade, que fora atingido no peito.
         – O que você fez com meu pai, vagabunda? – perguntou Jorge, agarrando o pescoço de Suelen e a jogando no chão – Desgraçada! Você não vale nada.
Dafne passava a mão no rosto, para tentar controlar as lágrimas que caíam de seu rosto sem parar.
         – Eu não consigo acreditar nisso. Minha irmã é um monstro.
Jorge, chorando, teclou desesperadamente uns números em seu celular, e disse com um olhar de raiva e angústia para Suelen, que permanecia no chão, com a toalha sobre seu corpo.
         – Vou chamar a polícia.

Ao som de “She Wolf – David Guetta (com Sia)”...
         A noite passa e a manhã chega. E para as seis garotas deitadas e completamente nuas, amarradas naquelas camas, parecia o fim de suas vidas. A respiração delas estava pesada. Valéria soltava seu ar com dificuldade. Estava cansada de abrir a boca para chorar, lastimar seus supostos últimos minutos de vida. A porta se abriu e dois médicos entraram, acompanhados de alguns enfermeiros. A mulher se aproximou de Valéria e disse:
         – Valéria... É você quem eu queria. Quero sentir o prazer de te cortar, e sem anestesia.
         – Te odeio, Estela – Disse Valéria com dificuldade – Quero que saiba que o inferno a aguarda.
Quando Estela foi passar o bisturi na barriga de Valéria, a porta se abriu bruscamente, e um homem entrou gritando com uma arma na mão:
         – A festa acabou. Lugar de traficante é na cadeia.



     COLABORADOR- LUIZ GUSTAVO 
DIREÇÃO DE ARTE - MÁRCIO GABRIEL
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segunda-feira, 12 de maio de 2014

Que se Acendam as Luzes - Capítulo 16


Ao som de “She Wolf – David Guetta (com Sia)”.
        

        Elas estavam chorando desesperadas enquanto sentiam a corda amarrada bem forte em seus pulsos. Paloma não conseguia parar com a boca fechada, pois o choro fazia que ela deixasse a mesma aberta, enquanto seus olhos estavam inchados.
         – Escutem meninas: não temos mais saída – Disse Valéria – A única coisa que temos a fazer é pedir perdão pelos nossos pecados, pra gente ir para o céu.
         – Quero que vocês me desculpem – Falou uma bela voz, de preferência a voz de Ana Paula – Eles me pegaram de surpresa e...
         – Não se preocupe – Disse Andressa, a moça branca dos cabelos pretos cacheados – Você não é a culpada.
         Valéria estava deitada na cama da frente. Assim ela podia ver todas as outras garotas, se mexesse sua cabeça para certa posição. Ela abriu sua boca e falou:
         – Meninas, quando eu era criança, minha mãe dizia que nós somos luzes, sabe? Que nossas vidas são guiadas por holofotes. E quando eles se apagam – Totalmente emocionada, Valéria disse essas palavras. – Só mesmo muita sorte pra reacender.

A PM viu que todas as garotas estavam prestando muita atenção no que ela estava falando. Então Valéria continuou:
         – Agora, juntas, vamos pedir para que se acendam as luzes, rezando para Deus, porque só ele é capaz de nos salvar.
Então elas fecharam os olhos, e entregaram tudo nas mãos dele, com confiança e com a esperança de que conseguiriam sair dali.



Ao som de “DNA de Adorador – Gusttavo Lima”...
         – Como assim? Você não vai Ingrid? – Perguntou Estela para a médica que permanecia em pé no corredor do hospital Trindade.
         – Não. Já cansei disso, Estela. Isso não é pra mim – disse ela saindo do lugar e começando a andar.
Estela segurou seu braço e a encarou:
         – Uma traidora, isso sim você é! As garotas estão lá, amarradas, e a polícia não sabe disso. E você quer perder uma chance dessas? Eu confiava em você, mas não passa de uma interesseira.
         – Pensem o que quiserem de mim. E não contem comigo – Quando disse isso, Ingrid já se encontrava a mais de um metro de distância de Estela.



Horas depois...
Ao som de “We Are Divas – Carla Chrustins (com Britney Spears)”...
         Sensacional! Essa palavra resumia exatamente o show que acontecia na grande “Las Vegas”, onde quem cantava era Britney e Carla. Aqueles fãs pulando enquanto observavam as divas cantando. Quando um deles percebia Britney lhe olhando, seu coração palpitava de emoção. E com muito entusiasmo, as duas cantoras pulavam no palco, cantando em lindas vozes. A parte em inglês, Britney cantava com ternura e simplicidade. A parte em português, Carla dizia em um tom que contagiava:

When I wake (Quando eu acordo)
And leave my condo (E saio do meu condomínio)
Millions of fans want to cling (Milhões de fãs querem me agarrar)
Being a diva is not easy (Ser uma diva não é muito fácil)
So I will always be prepared. (Por isso sempre preparada irei ficar).
And every time I go to Brazil (E toda vez que vou para o Brasil)
Carla does not stop... (A Carla não para de...)
Of... Of... Of... Of divar. (de... de... de... de divar).

Quando eu ando nas ruas de São Paulo
Muitos fotógrafos querem me fotografar.
Então eu falo: Sempre serei diva!
E vou-me embora para descansar.
Ser uma diva não é muito fácil
Mas preparada sempre irei ficar.
E quando venho pros Estados Unidos
A Britney não para de...
De... De... De... De divar.

         E assim, com essa música de um ritmo divertido e contagiante, as duas saíram do palco. Enquanto Britney pensava que Carla era demais, a última pensava totalmente ao contrário, pois se tratando de Carla Chrustins, ninguém escapa de seus pensamentos venenosos.


Ao som de “Deserto – Thaeme e Thiago”...
         – Não to entendendo Ingrid? Confessar o quê? – Perguntou Renato olhando no fundo dos olhos de sua namorada entrando no carro do primeiro.
Ingrid entrou no mesmo e se sentou no banco direito. Renato também se sentou e os dois colocaram o cinto de segurança. Ingrid olhou o namorado e disse:
         – Quando chegarmos à delegacia você vai saber.

         E assim foi. Minutos depois eles estavam de frente ao delegado Robson, que perguntava:
         – Então vai nos contar alguma coisa importante?
         – Sim, muito importante.  – Ela respirou antes de falar – Eu sou integrante do grupo do tráfico de órgãos humanos do hospital de Estela Lumbré, e sei exatamente onde as garotas sequestradas estão.


COLABORADOR- LUIZ GUSTAVO 
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sexta-feira, 9 de maio de 2014

Que se Acendam as Luzes - Capítulo 15


        – E aí? Decidiu morrer ou abrir o jogo? – Perguntou o homem para Ana Paula apertando mais ainda seu pescoço.
         – Ta bem, eu falo – Disse ela chorando e empurrando o braço do homem. – Agora me solte.
O homem soltou o pescoço da garota, que falou aliviada, apontando para um lugar:
         – Elas estão pra aquele lado.
Então o carro começou a ir para o local onde a moça estava apontando.



       
     – Já tudo pronto – Disse David antes de tascar um beijo caloroso na boca de Suelen. Eles estavam na cama. Depois de se vestir, o homem se despediu da mulher.
         – Até mais, e dará tudo certo. Fique tranquila.
         – Quero que ele morra de verdade sentindo uma vontade profunda de voltar a respirar. – Disse Suelen entregando uma chave ao amante.
Ao ouvir isso, David saiu do quarto. Desceu do motel e entrou em seu carro luxuoso, que saiu do estacionamento segundos depois.



         Em sua mansão, deitado em sua cama, e aproveitando as últimas horas de sono, Sebástian dormia tranquilamente. Foi então que ele ouviu um barulho vindo da sala de estar. Ele se levantou e se dirigiu até a escada, ao descer sentiu duas mãos em suas costas, e de repente ele abriu os olhos e estava caído no chão, com o corpo dolorido. Mas um pano foi colocado em seu rosto e ele dormiu.



         Valéria abriu os olhos e lembrou que ainda estava vivenciando um pesadelo nas ruas bolivianas. Já tinha amanhecido. Estava deitada num beco, por sinal de uma rua pobre. As outras quatro garotas estavam acordadas e escoradas na parede, tristes. Valéria se levantou e disse às amigas:
         – Temos que ir meninas, já amanheceu.
Todas elas levantaram tristes.
         – Não aguento mais – Resmungou Paloma – Isso é vida?
Então elas avistaram um homem, por sinal brasileiro, falando no telefone. Ele falava com alguém do Brasil:
         – Ah sim... Pois é, já to na Bolívia. Se eu já almocei? Claro que não mãe. Não, mãe, o horário daqui é do mesmo jeito de São Paulo. Sim, mãe, ainda é de manhã. Ir embora agora?  Mas eu... – Ele tirou o celular da orelha – A velha desligou.
         – Moço? – Era um grito feminino. – Moço?
O homem se virou olhando as cinco garotas que observavam ele, com olhares tristes.
         – Posso ajudá-las?
                – Por favor, precisamos usar seu celular – Disse Andressa – É urgente.
O homem entregou o celular para a jovem, que se virou para Valéria e entregou o mesmo.
         – É melhor você, Valéria.
Valéria discou alguns números e esperou. Ninguém atendeu.



         – Alguém me tira daqui! Socorro! – Era um grito, “que vinha debaixo da terra”.
O homem, ou melhor, aquele já senhor de idade estava apavorado. Estava sem ar.
         – Onde estou? – Perguntou ele afim de que pudesse ouvir uma resposta. A única coisa que sabia era que estava dentro duma caixa de madeira, e em um local abafado.
Ele viu que suas mãos estavam amarradas, e ele estava com a mesma roupa de dormir. De repente o suor começou escorrer por seu pescoço, sua respiração começou a ficar pesada. E foi aí que...




         – Ai meu Deus, o Robson não atende! – Disse Valéria, para as garotas, que não ficaram nada contentes com o que a amiga dissera.

        Foi então que um carro, em uma tremenda velocidade, se aproximou das jovens. Todas gritaram assustadas. Ainda mais quando três homens desceram a agarraram todas elas.
O celular do homem caiu no chão, ele apanhou, e ficou dando risada das jovens sendo dopadas e colocadas dentro do automóvel:
         – O plano deu certinho – Disse ele, para que ninguém ouvisse – A Estela vai ficar orgulhosa.
E dentro das pupilas de seus olhos, a imagem das garotas vítimas daquele destino tão cruel aparecia.

“Será que agora as luzes se apagaram para sempre”?


COLABORADOR- LUIZ GUSTAVO 
DIREÇÃO DE ARTE - MÁRCIO GABRIEL
ESCRITO POR - WILLIAM ARAUJO
REALIZAÇÃO - TV VIRTUAL
© 2014 - TODOS OS DIREITOS RESERVADOS

quarta-feira, 7 de maio de 2014

Que se Acendam as Luzes - Capítulo 14


   Faltando duas horas para o dia amanhecer, Suelen estava com David, em um motel. Depois de transarem, Suelen se sentou na cama, e olhou no fundo dos olhos do belo rapaz musculoso de cabelos castanhos e olhos azuis, que se encontrava apenas de cueca. A “garota de programa” disse:
         – No telefone não pude adiantar muito, mas agora posso: quero que você enterre meu marido vivo, pra que ele sofra. Você sabe fazer isso, afinal, você tem muito dinheiro. E é dono de uma empresa da máfia.
           – Suelen, meu anjo, pode pedir o que quiser. Mas ainda quer essa vida de pobre? Sendo que você pode morar comigo quando quiser.
           – Por enquanto sim. Depois que me ver livre da minha irmãzinha querida, eu sumo do mapa. Falando em Dafne, me lembrei de minha mãe. Que assalto espetacular, hein!
          – Meus homens são profissionais. Saiu tudo direitinho. Duas mortas, e uma assustada: sua irmã. Não se sente mal por ter mandado matar sua própria mãe?
           – Nunca me senti tão bem na vida, sem aquele saco de batatas pra atrapalhar. Você foi o anjo que surgiu em minha vida. Nunca me esquecerei daquele dia, aqui nesse quarto, onde fizemos sexo pela primeira vez, cerca de um ano atrás.
          – Nem eu! – disse ele antes de voltar a beijar a mulher e caírem na cama.

“Será que as luzes se acenderam? Será que finalmente teremos a liberdade? Oh luzes, acendam-se!”



        
Valéria sentiu que a sorte brilhava naquele momento, em que Kételyn finalmente conseguiu abrir a porta, a qual estava pulando:

         – Consegui gente! Consegui!


          – Corram meninas! Eu preciso segurar esse Mané bocó aqui – Aconselhou Valéria – Me esperem em algum lugar.
As garotas decidiram ouvi-la, pois a mesma era PM, e sabia o que dizia.
        Rapidamente todas elas saíram correndo pelos corredores daquele local escuro. Durante o percurso, as cinco jovens sentiam-se livres. Corriam felizes em direção à saída, de braços abertos. Quando finalmente saíram pra fora, sentiram o brilho das lâmpadas naquela madrugada e abriram os braços de felicidade, sorrindo para o céu.
     – Temos que ir. Não é hora de comemorações – Disse Ana Paula.
        – Não – Gritou Andressa – E a Valéria?
         – Oh! É mesmo – Lembrou-se a cantora – De tão feliz, me esqueci disso.
E falando em Valéria, a mesma estava correndo desesperadamente pelos corredores daquele lugar, que para ela era como um labirinto escuro, aonde as luzes nunca iriam se acender. Enquanto lá dentro do quarto o homem se levantava, Valéria se aproximava da saída. A cada metro, maior velocidade. A cada curva, mais desespero. A cada segundo, uma lágrima. A cada vez que se aproximava da saída, mais liberdade. E foi então que finalmente, Valéria conseguiu sair e avistou as meninas.
         – Vamos gente. Não podemos ficar aqui.
As cinco jovens saíram correndo por aquelas ruas bolivianas em plena madrugada. Quem as via correndo, ficava surpreso. Elas estavam perdidas, desesperadas. Valéria sentia-se presa, assim como Kételyn, Amanda, Andressa, Ana Paula e Paloma.




         Por fim, o jato de Carla pousou na Bolívia, e os médicos pegaram um táxi para o local onde aconteceria a retirada dos órgãos. Em sete minutos, eles chegaram. Estavam na cidade de “La Paz”. Enquanto andavam pelos corredores, sentiam que algo aconteceu. Foi então que todos se depararam com uma porta aberta, e um homem no chão.
Estela correu até ele.
         – Onde estão as garotas?
         – Fugiram!
         – Você deixou? – gritou Antônio.
         – Aquela Valéria... Ela me machucou muito. Levantei, mas caí de novo. Não aguento mais ficar em pé. E agora? E se elas contarem pra polícia?
         – Não acontecerá nada. Elas são ilegais aqui, pois não estão com os documentos. Onde estão os outros homens?
         – Em um apartamento.
         – Chame-os. Precisamos capturar as garotas de volta, e rápido. – Ordenou Estela.
O homem, meio que machucado, começou a procurar um nome da lista telefônica, com dificuldade. Os homens chegaram quinze minutos depois. Foi então que Estela disse entregando a identidade com a foto de cada garota:
         – Encontrem-nas o mais rápido possível.
Os três homens ficaram olhando para a cara da médica, que continuou:
         – O que estão esperando? Doces? Vamos logo com isso.
Quando ela falou isso, os homens já caminhavam apressadamente para o carro, o qual rapidamente já se encontrava em alta velocidade pelas ruas da Bolívia.
        
         Parados em frente aquele local, os médicos se olhavam. Antônio perguntou para Estela, já que entre eles, era ela quem mandava.
         – O que vamos fazer agora?
         – Voltar para o Brasil. Não podemos perder tempo.
Ingrid ficou brava com a resposta de Estela.
         – Ficou louca? E se eles acharem as garotas hoje mesmo?
Estela olhou no relógio: eram cinco da madrugada.
         – Não importa. Nem que elas fiquem meses aqui, temos que voltar. Não é bom levantar suspeitas para a polícia. E afinal, estamos proibidos de viajar para o exterior, lembram?
Então eles chamaram dois táxis. Os três médicos e os cinco enfermeiros entraram neles, e seguiram para a pista de aeroporto. Ao chegarem lá, o motorista do jato já esperava. Todos entraram e em alguns minutos o jato se encontrava a mais de setecentos metros de altura.

  
     Finalmente o dia amanheceu na Bolívia. Às oito da manhã, as seis garotas estavam sentadas num banco, perto da rua. Ana Paula estava exausta. Já não aguentavam mais.
    – O que vamos fazer? – Perguntou ela sem interesse na resposta. – Esperar?
    – Nós precisamos achar uma pessoa de confiança. De preferência um brasileiro – Disse Valéria – E precisamos ligar para o Brasil. Avisar que estamos na Bolívia.
    – Eu não aguento mais – Disse Ana Paula se levantando – Vocês ficam aí paradas e não fazem nada. Eu quero ir embora. Escolham: irem embora ou ficarem sentadas.
   Valéria levantou do banco, e olhou no fundo dos olhos da cantora:
   – Ana Paula, sua voz é linda e tal, mas agora não é hora de discutir. Precisamos ficar unidas.A cantora soltou uma gargalhada:
       – Unidas e sentadas você quis dizer, né meu bem?
Kételyn, Amanda, Paloma e Andressa, escutaram um estalo. O barulho era a bofetada que Valéria deu na cara de Ana Paula.
     – Cale a boca. E pense bem antes de falar. Você quer ir embora? Vá! Mas fique sabendo que não vai conseguir sozinha.
       – Ah é? Então eu vou! Tchau pra vocês. Espero que vocês me vejam aqui nas televisões bolivianas fazendo meus shows.
Ana Paula saiu emburrada, atravessando a rua.
     – Volte aqui, sua louca! – Gritou Kételyn.
        – Deixa ela, Kételyn – Falou Valéria – Se juntas não temos muita chance, imaginem ela sozinha. – Todas as jovens concordaram com Valéria.

        A união reinava entre as cinco jovens, e a solidão vencia Ana Paula, enquanto ela corria pelas ruas. Em certo momento, a cantora de sertanejo foi atravessar a faixa de pedestres. Um carro parou para a jovem passar, mas o que ela não imaginava aconteceu. Dois homens saíram correndo e agarraram-na, tampando sua boca e puseram-na dentro do carro.

        Ana Paula abriu os olhos e percebeu que estava dentro de um carro, segurada por dois homens, no banco de trás. O carro seguia as ruas bolivianas aceleradamente.
     – Me larguem – Gritou ela com dificuldade, pois estava com um pano frouxo amarrado em sua boca.
Um homem pegou uma foto e depois olhou para a cantora.
      – É ela mesma? – Perguntou outro daqueles capangas.
         – Sim, é ela. Tá na cara.
Então ele colocou a foto no bolso, e agarrou o pescoço de Ana Paula, ameaçando-a:
         – Escuta aqui, você vai mostrar onde tão suas amiguinhas. Todas! Ou faz isso, ou morre. Entendeu bem?
Ana Paula começou a chorar, sentindo-se arrependida e percebendo que caiu numa enrascada tremenda. E agora? 


COLABORADOR- LUIZ GUSTAVO 
DIREÇÃO DE ARTE - MÁRCIO GABRIEL
ESCRITO POR - WILLIAM ARAUJO
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