Mostrando postagens com marcador Secret Admirer. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Secret Admirer. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 23 de outubro de 2014

Secret Admirer: 2x6 – LIE (SEASON FINALE)

 


2x6 – LIE (SEASON FINALE)
Toca a canção Pornography, da banda The Cure.

            Cindy Crawford Collins não sabia, mas o preço que pagaria para ter seu filho, o pequeno Benjamin, de volta era ter que abrir mão de seu marido.
Jacqueline havia ligado para negociar com a moça. Exigira a ausência da polícia nas negociações, sob a pena de acabar com a vida de Nick e de Benjamin caso isto fosse descumprido.
            Você disse que é meu. Vou acreditar em você. Nicholas usou de sedução para conseguir domar as loucuras de Jacqueline. Ele iria até o fim; sabia que algumas pessoas ficariam com o coração partido com tal decisão, mas salvaria a vida de Benjamin.
            A ex-funcionária do FBI colocou pai e filho dentro de um velho carro e partiu para o local marcado para as negociações.

ރ

            Phillip Page, em sua cadeira de rodas, acompanhava Cindy Crawford, adentrando em um galpão abandonado. Cindy parecia tranquila, mas seu coração estava um turbilhão de emoções. Vestia um blazer caro e joias ainda mais caras. Estava descontando seu desespero nas compras. Comprava compulsivamente depois que soube que além de seu filho, seu marido também havia sido sequestrado pela psicopata Jacqueline Adams.
            — Fique calma, tudo vai dar certo. — disse Phillip.
            — Não posso ter certeza disso. Jacqueline Adams disse que traria Benjamin aqui e não pediu dinheiro. Eu estou com medo Phillip.
           
            Philip contornou a cintura de Cindy com seu braço direito. Sentiu o volume de um revólver e se assustou.
            — Está armada, Cindy? Por quê?
            — Eu não sei o que essa louca pode fazer.

O portão do galpão abandonado se abriu. Jacqueline trazia Benjamin, amordaçado e com os braços amarrados. Nick vinha a acompanhando, sem nenhum tipo de mordaça; dava a entender que ele havia mudado de lado repentinamente. Todavia, ele não era um bom ator. Seu olhar estava triste, como se estivesse sendo obrigado a fazer algo. E estava.

— Cindy, aí está seu filho. — um empurrão apenas da parte de Jacqueline, e Benjamin caiu no chão. Cindy correu e o abraçou.
— Nick, meu amor, vamos, conosco. Você não está preso. Ela não está armada... — dizia Cindy.

— Eu não vou... Cindy...
— Mas querido!

Jacqueline abraçou Nick e disparou um olhar contra Cindy, que não estava conseguindo entender nada. Abraçava Benjamin como se ele fizesse parte do seu próprio corpo. Sacou sua arma.
— Cindy, não! — Phillip Page tentava intervir.
— Agora... agora eu estou com Jacqueline, Cindy. Espero que me entenda. Eu gosto dela...  havia uma voz embargada da parte de Nick enquanto ele mentia.
— Seu filho de uma puta! Você nunca tirava os pensamentos dela, agora eu entendo!
Ela apontou a arma para os dois, levantou-se, soltou-se do filho e caminhou. Ia chegando mais próximo do suposto casal cada vez mais. A decepção tomava seu coração. Ela estava acreditando na mentira de Nick. Intensamente.
— Phillip, cuide do meu filho... Eu te amo Benjamin. Eu te odeio, Nick— disse Cindy, mudando a direção do revolver e apontando para o peito, depois para dentro de sua boca. Puxou o gatilho. Atirou.


FIM DA TEMPORADA

terça-feira, 21 de outubro de 2014

Secret Admirer: 2x5 – JEALOUS


2x5 – JEALOUS
Toca a canção Mad About You, da banda Hooverphonic.

            Seus pés estavam amarrados; suas mãos, presas na grade de ferro de uma cama caindo aos pedaços. Os cheiros de enxofre e de comida estragada penetravam no nariz de Nick. Ele estava completamente nu, e não sabia exatamente onde estava e nem ao menos em que dia estava. Tentou gritar, mas estava amordaçado. As lembranças vinham aos poucos à sua mente.
            A mensagem de texto, a música antiga dos anos noventa tocando no bar, o vinho vagabundo, a voz feminina. Sua admiradora secreta. Nick queria seu filho. Era por ele que Nicholas estava se arriscando.
            — Socorro! Socorro! — Nick ouviu ao longe. Era a voz de Benjamin.
Ele está vivo!

            Os gritos de socorro de Benjamin tornavam-se cada vez mais fortes e pavorosos. O coração de Nicholas disparava. Perguntava-se que horas eram, que dia era e em que mês estava. Questionava-se se alguém já havia sentido sua falta e se Cindy estava bem.
            Sua primeira reação foi sacudir-se. O ruído metálico das algemas na grade de ferro da cama talvez pudesse fazer com que Jacqueline deixasse de fazer fosse lá o que ela estivesse fazendo com Benjamin e ir ao seu encontro.
            Benjamin calou seus gritos de horror. Nick aprendeu a rezar naquele mesmo instante. Qualquer movimento poderia ser brusco.
            Passos. O som do atrito entre o solado do sapato de Jacqueline Adams e a areia que compunha a imundície daquele local ficava mais próximo a cada segundo. Nick estava ofegante. Não conhecia mais Jacqueline; ela não era mais aquela médica legista com quem ele trabalhara há anos.
            — Nick... Nick... Nick...
            Um mix de inveja, assombração e tudo o que há de mal no mundo circulava a aura de Jacqueline. Nicholas sentia que ela era perigosa e psicopata. Sua face mostrava que ela não pensaria duas vezes antes de fazer qualquer que fosse a atrocidade.
            Ela retirou a mordaça de sua boca.
            — Jacqueline! Onde está Benjamin? Por Favor, solte-o. É a mim que você quer, não é?
            Uma lágrima descia a face de Jacqueline. A ex-legista do FBI pousou suavemente sua mão direita na face de Collins. Ele sentia nojo dela. Nojo por jogar tão baixo, por ela ter afetado alguém que ele amava, e não ter jogado suas cartas no próprio Nick. Ele queria cuspir em seu rosto, mas um pouco de sanidade ainda lhe estava. Talvez não fosse o fim da linha se ele se sacrificasse um pouco.
            — Naquela noite... há dez anos... no incêndio... você falou que me amava. Eu não esqueci.
            — Eu também não esqueci, meu amor. Não havia um segundo que eu não pensasse em ti, Nick.
            Strike! , pensava Nick. Se eu fizer com que ela pense que eu a amo, há uma chance de Benjamin e eu sairmos vivos daqui. Pelo menos Benjamin...
            — MAS VOCÊ ME TRAIU! Na primeira oportunidade você se casou com aquela negra imunda e me esqueceu.
            A vontade que Nicholas tinha agora era de bater em Jacqueline. Se não estivesse algemado, talvez nem se seguraria e enfiaria seus dedos nos olhos da psicopata. Ele nunca teve nenhum tipo de relacionamento com Jacqueline; tampouco sabia que ela alimentava uma paixão por ele.

            Jogaria sujo também.



quinta-feira, 16 de outubro de 2014

Secret Admirer: 2x4 – DESIRE


2x4 – DESIRE

Toca a canção Pornography, da banda The Cure.

NOS EPISÓDIOS ANTERIORES DE “SECRET ADMIRER” ...

(Benjamin Collins é sequestrado pela admiradora secreta de seu pai)
— Olá. Sou uma antiga amiga do seu pai. Vamos sair, pedir doces? Tenho certeza de que ele não ficará bravo. Me chame de Jacqueline.
            A abóbora caiu no chão e o carro deu partida.
(Nick e Cindy encontram um coração humano, que parece ser de Benjamin)
Cindy percebeu enfim a caixa deixada pela mulher em cima da mesa. Com os olhos, fez um sinal para Nick.
            — Tem um bilhete para nós. Acha que devemos abrir? — perguntou Nicholas, tenso.
Sem pensar duas vezes, Cindy abriu. Era algo sangrento, fresco, recém morto. O mundo de Cindy desabou e ela caiu, desmaiada. Nick viu o conteúdo da caixa: um coração humano.

(Contudo, há algumas circunstâncias indicando que Benjamin ainda está vivo)

Um enfermeiro entrou na sala. Empurrava uma maca que, em cima, parecia haver um corpo, coberto com um lençol branco. O legista Michael Cortez retirou o lençol.
            Era uma garotinha. Parecia ter sido uma moradora de rua. A sua origem humilde era perfeitamente identificada apenas pelas suas vestes. A camiseta, fora rasgada ao meio, e sua caixa torácica aberta.
            — Ainda não acredito que há pessoas que fazem isso com crianças. — disse Tyler. — mesmo depois de tanto tempo neste trabalho. Oh, céus! Agora digam-me, Kathy e Michael: este coração pode ter pertencido a esta garota?

AGORA...

            Tyler Gomez estava aflito esperando uma resposta dos médicos legistas. Já haviam se passado quinze minutos. Eles tinham a resposta.
            — O corpo desta garota foi encontrado num aterro. Haviam algumas ossadas de animais perto dela e, com certeza, o lixo veio de algum açougue. — conversava o chefe, para passar o tempo.
            — Não há sombra de dúvidas de que este coração pertenceu a esta garota, Sr. Tyler. — o legista respondeu finalmente.
Tyler sorriu, agradeceu e saiu da sala.

ރ

            Hora do almoço. Cindy e Nick Collins, estavam reunidos na enorme mesa com Phillip Page, ainda se lamentando por estar numa cadeira de rodas. Os empregados serviam rosbife, batatas cozidas, arroz e vários tipos de salada. Seria mais um dia em que muita comida seria desperdiçada.
            — Meu amor, você precisa comer mais um pouco. — insistia Nick.
            — Eu preciso do meu Benjamin aqui comigo!
            — Já se passaram mais de dois meses e nada. Eu entendo. Você precisa compreender sua esposa também, Nick. — disse Phillip.
            — Senhor Collins, Tyler Gomez está a sua espera na sala de estar. Diz que precisa falar urgentemente com o senhor. — interrompeu-os o mordomo.
            — Tyler? Aqui? Talvez seja notícias de Benjamin! — exclamou Cindy.
            — Fique aqui com Philip, querida. Vou conversar com Tyler e lhe trago notícias logo, logo. Agora coma, por favor.

ރ
            — Aquele coração não era do seu filho, Nick! — exclamou Tyler Gomez.
            — Isso... isso é ...
            — É a mais pura verdade. Precisamos encontrar Benjamim. Ele está vivo, meu amigo, tenha certeza disso!
            — Bom, isso parece loucura mas... — Nicholas hesitou um pouco — ainda acho que Jacqueline Adams tem algo a ver com isso. Se for ela mesmo quem sequestrou meu filho, tenha certeza que o que ela quer sou eu.

ރ
            As cabeças dos membros daquela pequena família com certeza estavam menos pesadas naquela noite. Para Nick, era difícil ter de esperar o FBI, departamento onde já trabalhou, fazer todo o trabalho. Cindy Collins não conseguia mais trabalhar, e por isso, ganhara uma licença.
            Mensagem de texto no celular de Nick. Número desconhecido mais uma vez. É ela. Minha admiradora secreta, pensou.
            “ENCONTRE-ME NOS SUBÚRBIOS DE LAS VEGAS. SAIA DE CASA AGORA. EM BREVE LHE PASSAREI O ENDEREÇO COMPLETO. ASSINADO: SEU ADMIRADOR SECRETO.”
            Bingo!

ރ

A música Something – Lasgo, toca ao fundo.

            Jacqueline Adams mandara mais um SMS para o celular de Nick, agora dizia o lugar onde ele deveria se encontrar com ela. Nick estranhou uma música tão antiga estar tocando naquele bar, mas sabia que aquela não deveria ser sua preocupação. Foi obrigado a pedir uma dose de vinho vagabundo, se quisesse continuar no balcão esperando seu admirador secreto.
            A primeira dose de vinho se transformou em duas, que viraram dez. Nick ainda não estava completamente embriagado, e foi obrigado a parar de beber se quisesse estar sóbrio quando Jacqueline chegasse. Se chegasse.

            — Que saudades de você, amor! — uma voz feminina entrou nos ouvidos de Nick. Uma mulher lhe abraçou por trás e mordeu sua orelha. O vinho fez efeito. Nick desmaiou.

terça-feira, 14 de outubro de 2014

Secret Admirer: 2x3 – ABYSM


2x3 – ABYSM

Toca a canção Electric Chapel, de Lady Gaga

DOIS MESES DEPOIS. LAS VEGAS.

            Phillip Page só tinha dinheiro para mais uma dose de uísque e uma hora com uma prostituta barata. Estava descontando suas frustrações na clandestinidade: fora despedido do emprego e, em consequência disso, sua esposa lhe deixou.
            Ele era o melhor amigo de Nicholas Collins desde a época da faculdade, contudo o contato entre eles dois estava cada vez mais raro nos últimos tempos.
            Após deitar-se com a prostituta e dar-lhe uma surra, Phillip Page saiu do prostíbulo cambaleando. O mundo lhe parecia mais vivo, mais agradável enquanto ele estava bêbado. Os carros na avenida principal pareciam pontos de luz que dançavam aos seus olhos em harmonia.
            Estava perdido, não tinha para onde ir. Há tempos dinheiro não era problema, mas agora era. E aqueles pontos de luz dançantes e harmoniosos lhe eram atraentes, e Phillip queria estar mais próximos deles. Aproximava-se dos carros da avenida, tão encantado quanto uma criança ao ver um doce.
            Os carros buzinavam para ele sair da frente, mas já era tarde. Um veículo atropelava Phillip Page naquele momento.
            — Porque você, fez isso, cara! Sabia que eu poderia lhe ajudar em qualquer circunstância que fosse! — disse Nick, quando empurrava a cadeira de rodas do amigo, Phillip Page, para fora do hospital. Finalmente ele recebera alta.
            — Você é um filha da puta mesmo. — disse Phillip, sorrindo de forma conformada — Só quis saber do seu amigo aqui quando ele ficou aleijado das duas pernas. Agora eu sou um inválido.
            — Philip, não seja idiota! — disse Nick, colocando o amigo para dentro do seu carro. O peso era quase imperceptível, pois Philip vinha se alimentando muito mal e estava magro. — Você sabe que meu filho foi sequestrado e ... tudo indica que ele não está mais entre nós. Além do mais, eu não sabia o que havia acontecido entre você, seu emprego e sua esposa. Só lamento não ter lhe ajudado antes.
            — Eu vi na TV o que aconteceu com o pequeno Benjamin. Eu lamento muito, mas você sabe que eu passo a maior parte do tempo em outro mundo, se é que você me entende.
            — Encher a cara e fazer o sangue virar álcool não lhe ajudará em nada. Se fosse assim, eu já estava lhe fazendo companhia há muito tempo.

ރ

            SEDE DO FBI EM LAS VEGAS
Aquele coração, que ao que tudo indicava, era do pequeno Benjamin Collins ainda estava congelado em um dos freezers do departamento. Michael Cortez e Kathy Simpson, nova dupla de legistas da sede, trabalhavam para identificar se a origem do órgão era realmente aquela. O chefe, Tyler Gomez, cobrava respostas dos médicos.
— Este coração realmente parece ser de uma criança de 8 anos. — disse um dos legistas.
— Isso nós já sabemos. — Tyler Gomez franziu a testa. Tentava também não olhar para o órgão disposto em cima de uma das mesas de dissecação. — Quero que vocês identifiquem se há alguma chance de esse coração haver pertencido a este corpo. Traga-o!
Um enfermeiro entrou na sala. Empurrava uma maca que, em cima, parecia haver um corpo, coberto com um lençol branco. O legista Michael Cortez retirou o lençol.
            Era uma garotinha. Parecia ter sido uma moradora de rua. A sua origem humilde era perfeitamente identificada apenas pelas suas vestes. A camiseta, fora rasgada ao meio, e sua caixa torácica aberta.
            — Ainda não acredito que há pessoas que fazem isso com crianças. — disse Tyler. — mesmo depois de tanto tempo neste trabalho. Oh, céus! Agora digam-me, Kathy e Michael: este coração pode ter pertencido a esta garota?


CONTINUA NO PRÓXIMO EPISÓDIO.

quinta-feira, 9 de outubro de 2014

Secret Admirer: 2x2 – HEARTACHE


2x2 – HEARTACHE

Toca a música Electric Chapel, Lady Gaga.

            Em um buffet chique de Las Vegas, uma família rica promovia um baile à fantasia em comemoração ao Halloween. Aquele foi o local onde o sequestrador de Benjamin havia marcado com os pais do garoto para uma possível negociação.
            Uma mulher mascarada e vestida em um longo vestido preto entrou no local. Trazia consigo uma caixa de madeira, a qual pôs em cima de uma mesa junto a um bilhete: “ESTA CAIXA PERTENCE AO CASAL COLLINS”, dizia. Após isso, retirou-se à francesa.
            Nicholas Collins e Cindy Crawford, agora Sra. Collins, entraram na festa. Não estavam trajados da maneira que exigia tanto o convite quanto o sequestrador, porém era caso de vida ou morte. Cindy, desesperada, exibiu sua carteira do FBI e Nick ameaçou interditar o local e acabar com a festa. O garçom os serviu:
            — Sejam bem vindos, Sr. e Sra. Collins, esta é a mesa de vocês. — disse, apontando para a mesa onde a mulher havia deixado a caixa de madeira e o bilhete.
            O casal se sentou à mesa. Observavam tudo ao redor. Nicholas não queria admitir à esposa, mas infelizmente achava que Benjamin, seu filho, não estava mais vivo.
            — Eu não deveria ter aceitado aquele cargo, Cindy. — as lágrimas escorriam no rosto de Nicholas.
            — Não diga isso, Nick. A culpa não foi sua! Nós fomos... somos ótimos pais para Benjamin. Escute, nós vamos achar o nosso filho.
            — Cindy, eu acredito que Jacqueline tem algo a ver com isso.
           — Jacqueline Adams agora não passa de cinzas. Ela morreu há dez anos! Meu amor, você não sabe o quanto estou mexida, mas eu sei que precisamos ser fortes. Se não pensarmos positivo, o pior pode acontecer.
        — Acha que este tal sequestrador entrará em contato conosco? Já são quase sete e quinze. Ele havia marcado às sete, segundo aquela mensagem. Chegamos atrasados.
        — o FBI já está trabalhando para rastrear a mensagem, meu amor. Fique calmo, o que este sequestrador quer é dinheiro.
         — Eu daria toda a minha fortuna para ter o nosso Benjamin de volta.
Cindy percebeu enfim a caixa deixada pela mulher em cima da mesa. Com os olhos, fez um sinal para Nick.
          — Tem um bilhete para nós. Acha que devemos abrir? — perguntou Nicholas, tenso.
Sem pensar duas vezes, Cindy abriu. Era algo sangrento, fresco, recém morto. O mundo de Cindy desabou e ela caiu, desmaiada. Nick viu o conteúdo da caixa: um coração humano.

            Vários carros de polícia e perícia estavam estacionados agora em frente ao buffet. Cindy havia sido encaminhada a um hospital, pois sua pressão não estava nada bem. Nicholas Collins estava chorando, agachado no canto do salão de festas. A festa havia acabado com o grito de pavor dado por Cindy antes de desmaiar.
            — Nick, levante-se. Você precisa ter esperanças. — disse o ainda chefe do FBI, Tyler Gomez.
            — Não queria que o senhor me visse chorando, Tyler. — Nick levantou-se. Tyler o abraçou.
            — Eu entendo a sua situação, mas quero que você e Cindy pensem que aquele não é o coração de Benjamin. O departamento ainda está estudando o caso, mas peço que tenha fé.
            — Não sei se ainda acredito em Deus, meu caro.
            Nick saiu e deixou os policiais e agentes investigando o local.

ރ

Toca a música Starman, de David Bowie.
            As luzes dos carros, dos grandes prédios e dos letreiros de Las Vegas intimidavam os olhos de Collins. Nicholas estava arrasado. Suas costas estavam pesadas e a solidão tomava conta daquele homem novamente. Ele queria apenas ver o sorriso de Benjamin novamente, Palavras, fé, talvez aquilo não trouxesse seu filho de volta. Ele queria andar, andar sem destino, para onde o vento lhe levasse. Talvez para um lugar ou um tempo que fora bom em sua vida. Impossível.
ރ

            Um Polo de cor azul marinho parou nos fundos de um açougue imundo da periferia. Uma sacola de lixo, preta, pesada, foi lançada para fora do carro, sendo acertada dentro do local onde os dejetos do estabelecimento eram deixados.
            — Cesta! — gritou Jacqueline Adams. Ela gargalhou, dando partida rapidamente no veículo.

ރ

            Cindy Collins estava entupida de calmantes. Acordava depois de um grande susto, agora no hospital. Avistou o marido, Nick, ao lado do seu leito. Ele segurava sua mão direita, apertando mais forte a cada vez que a esposa despertava.
            — Então não era um pesadelo? — perguntou ela, com uma voz fraca.
            — Eu não sei, minha querida. Eu queria que tudo isso fosse mentira. — Nick suspirou. — Seja quem tenha sequestrado nosso filho e feito esta loucura, eu vou vingar, vou fazer tudo com as minhas próprias mãos. Nem que eu tenha que fugir da lei.
            O celular de Nick tocou. Era um número desconhecido.
            — Alô?
       Silêncio. De repente, algo que parecia uma gravação. Era a voz de um garoto do outro lado da linha:
            — “PAPAI, MAMÃE! SOCORRO! ESSA MULHER QUER ME MATAR! SOCORRO!”

Fim da gravação. Fim de todas as suspeitas.

terça-feira, 7 de outubro de 2014

Secret Admirer: 2x1 – PUMPKIN



2x1 – PUMPKIN
Toca a música Mad About You da banda Hooverphonic.
Las Vegas, Outubro de 2013.
            Seu quarto parecia mais solitário naquele dia. O copo de conhaque não conseguia esquentá-la, assim como não a fazia esquecer-se daquele pavoroso dia. Estava tudo ficando embaçado diante dos seus olhos, pois não era a primeira gota de álcool que ela colocara na boca naquele instante. Vinha bebendo insistentemente depois de ver, em sua velha TV, no seu quarto imundo cujo era seu esconderijo secreto, ele, o homem que ela queria ver na cova ou ser enterrada junto a ele: o agente do FBI Nicholas Collins.
            Ele não era mais agente; recebera, naquele dia, o título de secretário de segurança dos Estados Unidos da América. Era um dia feliz, saíra nos jornais e na TV. Nick Collins estava sendo prestigiado e, mesmo depois de tantos anos, Jacqueline sentia a inveja tocar seu coração e esquentá-lo. “Eu deveria estar ali. Eu era a melhor agente do FBI, mas Tyler, Cindy, Nick e toda a corja de baba ovos filhas da puta me impediram disso”, pensava Jacqueline, segurando com todas as suas forças o copo de conhaque. Ele trincou, quebrou e o vidro vagabundo furou sua mão. O sangue vermelho e quente de ódio e inveja de Jacqueline Adams tomava de conta daquele colchão, que um dia fora branco.
            O jornal mostrava em primeira mão uma entrevista com Nick Collins. Na foto estava ele, sua esposa Cindy Crawford e o filho do casal, Benjamin, de oito anos. Em outra foto, Nick apertava a mão do presidente.
            — Sim, Nick. Sim! Eu te amava... ao mesmo tempo em que almejava a sua inteligência, sorte e a sua posição no FBI. Tudo se desfez... menos a sua vida. Isso não é justo. — os olhos de Jacqueline Adams marejavam, talvez por arrependimento ou ainda pela inveja. Era tarde demais para qualquer ato de restauração.
            Jacqueline Adams usou a edição do The New York Times daquele dia para estancar o sangue que saía do ferimento de sua mão esquerda.
            Fora um dia cansativo. Nick pôs a cabeça no travesseiro e esperou sua esposa Cindy, que estava colocando Benjamin para dormir, entrar no quarto. Sentia-se um novo homem, mais realizado, feliz. Estava casado com uma bela mulher, tinha um filho inteligente e agora fazia parte da vida política do país, num posto cobiçado por muitos e alcançado por poucos.
            Mesmo após tanto tempo, contudo, Nick, ao fechar os olhos, recordava nitidamente o dia do incêndio em que ele quase perdera a vida e viu a vida de Jacqueline Adams, sua admiradora secreta, acabar. Seu corpo nunca foi achado. Suspeitavam de que a médica legista havia virado cinzas, fazendo o trabalho do FBI ser impossível. “Nenhum osso, nenhum pedaço de carne. Estranho”, sempre pensava Nicholas antes de dormir ou até mesmo, às vezes, ao fazer amor com sua esposa.
            — Terra chamando Nick! Ou melhor: o mais novo secretário de segurança pública dos Estados Unidos! — disse Cindy. Uma camisola branca cobria seu corpo negro, escultural. Nick a beijou, dominando-a e colocando o corpo dela abaixo do seu.
            — Devo tudo a você, minha Cindy. A você, e ao nosso querido Benjamin.
            — Você me dá orgulho. Bendita a hora em que você me usou para uma investigação, lembra? —Cindy sorriu.
            Ele respondeu à mulher com um ardente beijo. Nick gostava de beijar Cindy com os olhos fechados, todavia, naquela ocasião, ele os abriu. Não era mais Cindy que estava lá: era Jacqueline. O rosto dela parecia derreter, como no dia do incêndio. Ela pronunciava as mesmas últimas palavras antes de sua suposta morte: “EU SEMPRE TE AMEI”. Na verdade, era Cindy que gemia de prazer. Ela notou que seu marido estava em outro mundo, fingiu um orgasmo e virou-se na cama.
ރ
Toca a música Heart of Gold, de Johnny Cash.
            Os dias foram se passando e chegara finalmente o Halloween. Benjamin Collins queria sair e pedir doces, como fez nos últimos poucos anos de sua vida. O garoto, fantasiado de vampiro, estava sentado no banco do jardim de sua casa, esperando o pai, Nick, que prometera chegar cedo do trabalho para sair com ele, já que Cindy, sua mãe, ficaria de plantão no FBI, onde trabalhava como investigadora.
            As babás e as demais empregadas estavam ocupadas fazendo um verdadeiro banquete para o jantar e preparando os doces para as crianças que tão logo estariam à porta do casarão propondo “gostosuras ou travessuras”.
            Passaram-se uma, duas, duas horas e meia após o horário prometido por Nick. “Papai não vem”, pensava Benjamin. O menino desejava acima de tudo sair e mostrar às outras crianças do bairro o quão sua fantasia de vampiro era especial. “Irei sozinho”.
            Estava tocando um CD de Johnny Cash num carro, talvez bem longe, mas alto o suficiente para Benjamin cantar enquanto andava pelo jardim em direção ao portão de saída da casa. A música, Heart of Gold, era familiar ao garoto, pois seu pai sempre cantava para ele dormir.
            Saiu da casa, cruzando o portão e ninguém o viu. Benjamin continuava seguindo a música, levando consigo a abóbora onde colocaria os doces que pediria. O carro estava parado em frente à sua casa. Não era o de seu pai, mas bateria no vidro mesmo assim, tinha esperanças de que fosse ele mesmo.
          Seus cabelos loiros enrolados voavam contra o vento, assim como a capa da fantasia. Bateu finalmente no vidro do carro e a porta abriu. Uma mulher, com metade da face deformada saiu de lá e sorriu para o pequeno Benjamin.
            — Olá. Sou uma antiga amiga do seu pai. Vamos sair, pedir doces? Tenho certeza de que ele não ficará bravo. Me chame de Jacqueline.

            A abóbora caiu no chão e o carro deu partida.

sexta-feira, 13 de junho de 2014

Secret Admirer: 1x6 - Suture




1X6 – SUTURE (SEASON FINALE)

            Para a felicidade de seu admirador secreto, Nicholas Collins finalmente acordou. Estava preso a uma maca e todos os seus ferimentos estavam perfeitamente cuidados
“Seja lá quem for essa pessoa, ela não quer me ver morto”, pensou Nick, olhando ao redor daquela sala, limpa, com azulejos brancos os quais refletiam a luz e fazia com que ficar de olhos abertos fosse um desafio.
— Por favor, apareça. Eu já sei que foi você quem me trouxe aqui, “Admirador Secreto”. — gritou Nick, ironizando a voz ao falar o nome utilizado pelo criminoso.
Nenhuma resposta. Nick estava ficando cada vez mais estressado com tudo aquilo.
— Não tenho nem ao menos o direito de saber quem fodeu com a minha vida? Mate-me então. Complete o serviço, seu filho da puta! É isso o que você queria? Fracassar-me? Conseguiu! Seu trabalho está concluído! Agora ponha logo um fim na minha vida! —Nicholas gritou o mais alto que pôde.
As luzes se apagaram e o coração do agente Nick disparou. Alguém se aproximava e o que Nick poderia fazer era apenas ficar parado. Não tinha medo, contudo o receio de aquela pessoa ser alguém que ele amava era cada vez maior.
As amarras foram soltas. Seus braços estavam livres, assim como suas pernas. Nick pôde ouvir rapidamente o respirar do criminoso enquanto ele o soltava da maca. Aproveitar para atacar não é uma solução.
Os passos do admirador secreto eram nítidos e, mesmo no escuro, Nicholas podia sentir para que direção o assassino estava indo. Sorriu, pois estava decifrando a maneira do inimigo lhe aterrorizar.
O admirador secreto acendeu novamente as luzes.
— O que você quer? Dinheiro? — Nicholas levantou-se da maca e caminhou para a direção cuja ele achava que seu admirador secreto estivesse.
Seguia em frente. Lentamente, à passos de gato, ele chegava perto de algo que parecia uma saída. Ou um esconderijo. A brincadeira de gato e rato estava ficando excitante. O mesmo ele não poderia pensar do criminoso. Nick pôde observar diversos sapos, penduradas em algo que parecia um varal, todos com a boca costurada. Suturadas perfeitamente. Touché.
Ninguém nunca suturou tão bem quanto...
— O que está fazendo agora, Jacqueline? — perguntou Nicholas, assustado.
            — Desfazendo a sutura.
            Depois de remover todos os pontos, a legista encontrou dentro da boca de Oscar um bilhete plastificado.
As lembranças de Nick voltavam à sua cabeça num ritmo louco. Os pontos nas bocas dos sapos eram idênticos aos pontos feitos na boca de Oscar Johnson. Jacqueline era uma profissional exemplar. Era misteriosa, fato, mas quase todos os agentes do FBI eram. Assim, mesmo com tantos anos trabalhando juntos, ela e Nick nunca falavam de problemas pessoais um para o outro.
— Lado errado, Nick.
A voz feminina e suave de Jacqueline Adams soou junto com o som do gatilho recém-puxado. Nick virou e ficou frente a frente a ela.
— Você, Adams? Traidora!
— Pare de defecar com a boca, Collins. Fim da linha pra você! — disse Jacqueline, apontando o revolver para Nick.
— Fale, então Jacqueline, porque você está tão focada em arruinar a minha vida?
— Você, Nick, sempre teve tudo nas mãos. Sempre lambeu as bolas do Tyler e de todos os outros chefes do FBI. Eu dei meu sangue por aquele trabalho, Nick!
— Eu não estou entendendo. Isso não explica tudo o que você fez, Jacqueline.
— Quem é você pra dizer o que é certo ou o que é errado?
Jacqueline disparou um tiro, mas tamanho era o seu nervosismo que errou. Chegara a hora de Nicholas reagir: pulou em cima da médica legista. Lutaria nem que fosse pela sua morte. O revólver caiu no chão e Jacqueline o chutou para longe. Jacqueline acendeu um isqueiro e o jogou no chão. Este, parecia estar molhado com algum produto químico.
            — Morreremos nós dois, então.
            — Faça valer a pena sua loucura, Jacqueline.
            As chamas se espalhavam rapidamente. Nick não sabia onde estava; parecia um esconderijo secreto disfarçado de quarto de hospital e laboratório. O colchão da maca aderiu ao fogo. Jacqueline sabia rir, apenas. Nick, parado, observava todos os pontos a fim de encontrar uma saída, alguma porta que o levasse para fora daquele antro.
            Ele precisava correr, caso contrário ficaria tarde demais. A saída estava perto de onde Jacqueline estava. A legista estava tendo um ataque de loucuras. Nicholas a empurrou. A maçaneta estava quente devido ao fogo e era impossível girá-la. Fim da linha.
            — Eu sempre te amei... — Jacqueline apontou o revólver para Nick. Ele levantou as mãos. Jacqueline estava com os cabelos soltos, e sua face tinha um ar maníaco, porém conformado com tudo o que poderia vir a acontecer.
            Uma viga, devido ao calor do incêndio, caiu entre os dois e Nick não pôde ver mais a legista. A fumaça era aterrorizante, assim como os prováveis últimos momentos da vida de Nicholas Collins. Era tarde demais. Talvez fosse.

       FIM DA TEMPORADA.