quinta-feira, 9 de outubro de 2014

Secret Admirer: 2x2 – HEARTACHE


2x2 – HEARTACHE

Toca a música Electric Chapel, Lady Gaga.

            Em um buffet chique de Las Vegas, uma família rica promovia um baile à fantasia em comemoração ao Halloween. Aquele foi o local onde o sequestrador de Benjamin havia marcado com os pais do garoto para uma possível negociação.
            Uma mulher mascarada e vestida em um longo vestido preto entrou no local. Trazia consigo uma caixa de madeira, a qual pôs em cima de uma mesa junto a um bilhete: “ESTA CAIXA PERTENCE AO CASAL COLLINS”, dizia. Após isso, retirou-se à francesa.
            Nicholas Collins e Cindy Crawford, agora Sra. Collins, entraram na festa. Não estavam trajados da maneira que exigia tanto o convite quanto o sequestrador, porém era caso de vida ou morte. Cindy, desesperada, exibiu sua carteira do FBI e Nick ameaçou interditar o local e acabar com a festa. O garçom os serviu:
            — Sejam bem vindos, Sr. e Sra. Collins, esta é a mesa de vocês. — disse, apontando para a mesa onde a mulher havia deixado a caixa de madeira e o bilhete.
            O casal se sentou à mesa. Observavam tudo ao redor. Nicholas não queria admitir à esposa, mas infelizmente achava que Benjamin, seu filho, não estava mais vivo.
            — Eu não deveria ter aceitado aquele cargo, Cindy. — as lágrimas escorriam no rosto de Nicholas.
            — Não diga isso, Nick. A culpa não foi sua! Nós fomos... somos ótimos pais para Benjamin. Escute, nós vamos achar o nosso filho.
            — Cindy, eu acredito que Jacqueline tem algo a ver com isso.
           — Jacqueline Adams agora não passa de cinzas. Ela morreu há dez anos! Meu amor, você não sabe o quanto estou mexida, mas eu sei que precisamos ser fortes. Se não pensarmos positivo, o pior pode acontecer.
        — Acha que este tal sequestrador entrará em contato conosco? Já são quase sete e quinze. Ele havia marcado às sete, segundo aquela mensagem. Chegamos atrasados.
        — o FBI já está trabalhando para rastrear a mensagem, meu amor. Fique calmo, o que este sequestrador quer é dinheiro.
         — Eu daria toda a minha fortuna para ter o nosso Benjamin de volta.
Cindy percebeu enfim a caixa deixada pela mulher em cima da mesa. Com os olhos, fez um sinal para Nick.
          — Tem um bilhete para nós. Acha que devemos abrir? — perguntou Nicholas, tenso.
Sem pensar duas vezes, Cindy abriu. Era algo sangrento, fresco, recém morto. O mundo de Cindy desabou e ela caiu, desmaiada. Nick viu o conteúdo da caixa: um coração humano.

            Vários carros de polícia e perícia estavam estacionados agora em frente ao buffet. Cindy havia sido encaminhada a um hospital, pois sua pressão não estava nada bem. Nicholas Collins estava chorando, agachado no canto do salão de festas. A festa havia acabado com o grito de pavor dado por Cindy antes de desmaiar.
            — Nick, levante-se. Você precisa ter esperanças. — disse o ainda chefe do FBI, Tyler Gomez.
            — Não queria que o senhor me visse chorando, Tyler. — Nick levantou-se. Tyler o abraçou.
            — Eu entendo a sua situação, mas quero que você e Cindy pensem que aquele não é o coração de Benjamin. O departamento ainda está estudando o caso, mas peço que tenha fé.
            — Não sei se ainda acredito em Deus, meu caro.
            Nick saiu e deixou os policiais e agentes investigando o local.

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Toca a música Starman, de David Bowie.
            As luzes dos carros, dos grandes prédios e dos letreiros de Las Vegas intimidavam os olhos de Collins. Nicholas estava arrasado. Suas costas estavam pesadas e a solidão tomava conta daquele homem novamente. Ele queria apenas ver o sorriso de Benjamin novamente, Palavras, fé, talvez aquilo não trouxesse seu filho de volta. Ele queria andar, andar sem destino, para onde o vento lhe levasse. Talvez para um lugar ou um tempo que fora bom em sua vida. Impossível.
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            Um Polo de cor azul marinho parou nos fundos de um açougue imundo da periferia. Uma sacola de lixo, preta, pesada, foi lançada para fora do carro, sendo acertada dentro do local onde os dejetos do estabelecimento eram deixados.
            — Cesta! — gritou Jacqueline Adams. Ela gargalhou, dando partida rapidamente no veículo.

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            Cindy Collins estava entupida de calmantes. Acordava depois de um grande susto, agora no hospital. Avistou o marido, Nick, ao lado do seu leito. Ele segurava sua mão direita, apertando mais forte a cada vez que a esposa despertava.
            — Então não era um pesadelo? — perguntou ela, com uma voz fraca.
            — Eu não sei, minha querida. Eu queria que tudo isso fosse mentira. — Nick suspirou. — Seja quem tenha sequestrado nosso filho e feito esta loucura, eu vou vingar, vou fazer tudo com as minhas próprias mãos. Nem que eu tenha que fugir da lei.
            O celular de Nick tocou. Era um número desconhecido.
            — Alô?
       Silêncio. De repente, algo que parecia uma gravação. Era a voz de um garoto do outro lado da linha:
            — “PAPAI, MAMÃE! SOCORRO! ESSA MULHER QUER ME MATAR! SOCORRO!”

Fim da gravação. Fim de todas as suspeitas.