
2x2 – HEARTACHE
Em um buffet chique de Las Vegas, uma família
rica promovia um baile à fantasia em comemoração ao Halloween. Aquele foi o
local onde o sequestrador de Benjamin havia marcado com os pais do garoto para
uma possível negociação.
Uma mulher
mascarada e vestida em um longo vestido preto entrou no local. Trazia consigo
uma caixa de madeira, a qual pôs em cima de uma mesa junto a um bilhete: “ESTA
CAIXA PERTENCE AO CASAL COLLINS”, dizia. Após isso, retirou-se à francesa.
Nicholas
Collins e Cindy Crawford, agora Sra. Collins, entraram na festa. Não estavam
trajados da maneira que exigia tanto o convite quanto o sequestrador, porém era
caso de vida ou morte. Cindy, desesperada, exibiu sua carteira do FBI e Nick
ameaçou interditar o local e acabar com a festa. O garçom os serviu:
— Sejam bem
vindos, Sr. e Sra. Collins, esta é a mesa de vocês. — disse, apontando para a
mesa onde a mulher havia deixado a caixa de madeira e o bilhete.
O casal se
sentou à mesa. Observavam tudo ao redor. Nicholas não queria admitir à esposa,
mas infelizmente achava que Benjamin, seu filho, não estava mais vivo.
— Eu não
deveria ter aceitado aquele cargo, Cindy. — as lágrimas escorriam no rosto de
Nicholas.
— Não diga
isso, Nick. A culpa não foi sua! Nós fomos... somos ótimos pais para Benjamin. Escute, nós vamos achar o nosso
filho.
— Cindy, eu
acredito que Jacqueline tem algo a ver com isso.
— Jacqueline
Adams agora não passa de cinzas. Ela morreu há dez anos! Meu amor, você não
sabe o quanto estou mexida, mas eu sei que precisamos ser fortes. Se não
pensarmos positivo, o pior pode acontecer.
— Acha que
este tal sequestrador entrará em contato conosco? Já são quase sete e quinze.
Ele havia marcado às sete, segundo aquela mensagem. Chegamos atrasados.
— o FBI já
está trabalhando para rastrear a mensagem, meu amor. Fique calmo, o que este
sequestrador quer é dinheiro.
— Eu daria
toda a minha fortuna para ter o nosso Benjamin de volta.
Cindy percebeu enfim a caixa deixada pela mulher em cima da
mesa. Com os olhos, fez um sinal para Nick.
— Tem um
bilhete para nós. Acha que devemos abrir? — perguntou Nicholas, tenso.
Sem pensar duas vezes, Cindy abriu.
Era algo sangrento, fresco, recém morto. O mundo de Cindy desabou e ela caiu,
desmaiada. Nick viu o conteúdo da caixa: um coração humano.
Vários
carros de polícia e perícia estavam estacionados agora em frente ao buffet. Cindy havia sido encaminhada a um
hospital, pois sua pressão não estava nada bem. Nicholas Collins estava
chorando, agachado no canto do salão de festas. A festa havia acabado com o
grito de pavor dado por Cindy antes de desmaiar.
— Nick,
levante-se. Você precisa ter esperanças. — disse o ainda chefe do FBI, Tyler
Gomez.
— Não queria
que o senhor me visse chorando, Tyler. — Nick levantou-se. Tyler o abraçou.
— Eu entendo
a sua situação, mas quero que você e Cindy pensem que aquele não é o coração de
Benjamin. O departamento ainda está estudando o caso, mas peço que tenha fé.
— Não sei se
ainda acredito em Deus, meu caro.
Nick saiu e
deixou os policiais e agentes investigando o local.
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Toca a música Starman, de David Bowie.
As luzes dos
carros, dos grandes prédios e dos letreiros de Las Vegas intimidavam os olhos
de Collins. Nicholas estava arrasado. Suas costas estavam pesadas e a solidão
tomava conta daquele homem novamente. Ele queria apenas ver o sorriso de
Benjamin novamente, Palavras, fé, talvez aquilo não trouxesse seu filho de
volta. Ele queria andar, andar sem destino, para onde o vento lhe levasse.
Talvez para um lugar ou um tempo que fora bom em sua vida. Impossível.
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Um Polo de
cor azul marinho parou nos fundos de um açougue imundo da periferia. Uma sacola
de lixo, preta, pesada, foi lançada para fora do carro, sendo acertada dentro
do local onde os dejetos do estabelecimento eram deixados.
— Cesta! — gritou Jacqueline Adams. Ela
gargalhou, dando partida rapidamente no veículo.
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Cindy
Collins estava entupida de calmantes. Acordava depois de um grande susto, agora
no hospital. Avistou o marido, Nick, ao lado do seu leito. Ele segurava sua mão
direita, apertando mais forte a cada vez que a esposa despertava.
— Então não
era um pesadelo? — perguntou ela, com uma voz fraca.
— Eu não
sei, minha querida. Eu queria que tudo isso fosse mentira. — Nick suspirou. —
Seja quem tenha sequestrado nosso filho e feito esta loucura, eu vou vingar,
vou fazer tudo com as minhas próprias mãos. Nem
que eu tenha que fugir da lei.
O celular de
Nick tocou. Era um número desconhecido.
— Alô?
Silêncio. De
repente, algo que parecia uma gravação. Era a voz de um garoto do outro lado da
linha:
— “PAPAI,
MAMÃE! SOCORRO! ESSA MULHER QUER ME MATAR! SOCORRO!”
Fim da gravação. Fim de todas as suspeitas.
