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quinta-feira, 18 de setembro de 2014

Me... I Am... Dudu Jean - Episódio 04


EPISÓDIO 1x04
"O Contrato"

FADE IN.

CENA 01/ MANSÃO AMARAL/ INTERIOR/ SALA PRINCIPAL/ MADRUGADA.

O relógio na parede apresenta o horário exato, 03h35min da manhã. Uma pessoa entra, quase caindo, no hall de entrada da mansão, escura. Bate a porta, não a tranca, e, segurando uma garrafa de pinga baiana, continua a perambular. Eis que o homem aperta o interruptor e as luzes de todo o hall se acendem: trata-se de Eduardo.


Eduardo: Eu bebo sim, minha cachaça! E quando bebo, a minha tristeza passa... 


Em tentativa de encaminhar para o quarto, pela extensa escadaria, ele tropeça e cai no assoalho. 


Eduardo: Tenho que subir para a minha suíte e ter uma noite de núpcias com o Cristiano. (P; rindo sozinho) Cris... Cristiano.


Após alguns empenhos frustrantes para se levantar, Eduardo acaba por se jogar no chão. 


CENA 02/ MANSÃO AMARAL/ INTERIOR/ SALA PRINCIPAL/ MANHÃ.

Yuri entra na sala principal, completamente arrumado, vestindo um terno e gravata, pronto para servir Eduardo, caído, no pé da escada, dormindo. 


Yuri: Rainha soberana, causa de toda a existência do universo, acorde! 


Yuri bate palma duas vezes. 


Yuri: Quando aconteceu isso com a Branca de Neve... Um príncipe encantado, a deu um delicioso beijo na boca. (P) Será que devo?! 


Yuri se aproxima do patrão, segura as mãos morena e encara o rosto inexpressivo adiante. 


Yuri: Será por uma boa causa. 


Eduardo abre os olhos, com uma expressão facial assustada e empurra o empregado. 


Eduardo: Nunca mais faça isso!


Eduardo se levanta rapidamente e se põe frente a Yuri.

Yuri: Minha diva batedora de cabelos pensei que estava em coma, ou algo parecido, assim como as princesinhas da Disney...


Eduardo: Meu príncipe tem nome, codinome e camisinha tamanho 30 centímetros, lá no quarto.

Yuri: Peço perdão, majestade! 

Eduardo: Perdoado. Agora, me traga um bom café preto. 

Yuri faz que sim com a cabeça, no entanto, permanece parado.

Yuri: Mas antes, deusa do amor! Precisamos conversar a respeito de uma carta, do RH da emissora. 

Eduardo se dirige a SALA, subdivisão do hall de entrada, e se senta na primeira poltrona que vê. Se acomoda e, estalando os dedos, encara Yuri. 

Eduardo: Desengata, carretel.

Yuri: Segundo o envelope, o salário está marcando míseros 800 mil dólares.

Eduardo: (Pasmo) Como assim?

Eduardo levanta, furioso, e lança uma escultura caríssima, próximo a poltrona, na parede. 

Yuri: Cleópatra brasileira, a senhora não deve fazer isso, mas conversar com os administradores da TVV.

Eduardo encara o garoto.

Eduardo: É hoje que faço o Luiz Gustavo, engolir cada perfume vagabundo que forma a audiência daquela série pornográfica.

Yuri: Que sinal, eu adoro. Disseram que vai ter uma continuação!

Eduardo: Você vai virar um pano de chão, se não calar essa boca.

Yuri: Estou de saída divindade, fazer o café da manhã.

Eduardo: Não precisa, avise ao Idalécio que prepare a limusine.

Eduardo encara a CAM, furioso.

CENA 03/ MANSÃO AMARAL/ INTERIOR/ COZINHA/ MANHÃ.


Idalécio entra na cozinha, trajando apenas um short e um chinelinho havaianas vermelho. Yuri entra no cômodo.

Yuri: Idalécio, a rainha do amor, mandou você preparar o carro.

Idalécio: E para onde o Sr. Eduardo irá?

Yuri: Para a TV Virtual, resolver alguns probleminhas contratuais, então, se arrume e coloque uma roupa decente. Aliás, você é apenas um porteiro.

Idalécio: Porteiro não, motorista!

Yuri: Pau para toda a obra, ou pensa que não sei?

Idalécio: Do que está falando?

Yuri: Divina Isis te tirou da Angola apenas para se aproveitar da sua anaconda por todas as noites. (P; Sorri) Eu sei de tudo, querido.

Idalécio não dá muita bola para as palavras do garoto e caminha em direção à saída da cozinha.

Yuri: (Alto) Nesse mato tem coelho misturado com linguiça. Haja psicose, pra tanta surra de vara! 

CENA 04/ MANSÃO AMARAL/ EXTERIOR/ MANHÃ.

CAM na bolsa transversal de Eduardo, que segura uma taça de ouro, a qual contém espumante. 

Idalécio: Vestida para matar, em, Sr. Eduardo?!

O homem negro abre a porta do automóvel, mas o proprietário o encara. 

Eduardo: Agora, assassino o Luiz Gustavo na TVV, mas depois, no motel, te mato de prazer. 

Idalécio bate na bunda de Eduardo. 

Idalécio: A criancinha não irá junto para a reunião?

Eduardo: O Yuri tem que cuidar da faxina. Por isso é taxado de diarista, né? 

Eduardo entra na limusine, com dificuldade por causa do vestido longo.

Eduardo: Hoje é o dia do seu sepultamento Luiz Gustavo feat Glades Félix. 

CENA 05/ EMISSORA TVV/ INTERIOR/ CORREDORES/ TARDE.

A secretária mexe no computador com uma caneta próxima a boca, quando o elevador é aberto. Ela se levanta, para cumprimentar o homem à frente, Eduardo Amaral, que se recusa a tocar em suas mãos.

Eduardo: Passou álcool em gel e tomou banho de cândida hoje, Rosinha Manfrine? 

A secretaria se acomoda novamente, na poltrona de couro. Atrás, na parede, a logomarca da empresa.

Rosinha: O que o senhor deseja?

Eduardo: Conversar com o Luiz Gustavo, baby.

Rosinha: O vice-presidente está ocupado neste momento.

Eduardo: Aquele miserável irá de me receber, por bem ou por mal.

CENA 06/ EMISSORA TVV/ INTERIOR/ CORREDORES/ TARDE.

Eduardo caminha pelos os longos corredores, faz algumas curvas e chega à porta, contendo um nome: Luiz Gustavo. Eduardo entra na SALA, de tamanho considerável e objetos decorativos para todos os lados. Luiz Gustavo, acomodado na poltrona, mexendo no computador, se levanta para recebê-lo.

Eduardo: Onde está os meus três milhões de dólares?

Luiz: Em primeiro lugar, muito boa tarde Senhor Eduardo. Em segundo, você recebe em reais. E, em terceiro, comprem Applause no Itunes.

Luiz dá uma risada sarcástica. 

Eduardo: Acha mesmo que irei de continuar aqui, nessa emissora?

Luiz: Acho sim, afinal, temos um contrato assinado.

Eduardo: (Esbraveja) De três milhões de reais mensais!

Luiz: 3 milhões foram apenas para construir aquele estúdio ridículo... Incluindo o preço daquela água importada.

Eduardo: A água mais pura do mundo, dos vulcões.

Luiz: Um cavalo de guerra, para ficar ao seu lado no camarim, incluindo uma banda de rock inglesa, para alegrar a plateia.

Eduardo: Entretenimento em primeiro lugar.

Luiz: 800 mil foram o que sobrou de tudo. É pegar ou largar. Como diria o Luciano Hulk: é agora ou nunca. 

Eduardo, enfurecido, encara o empresário. Caminhando em passos firmes, como se quisesse quebrar o chão, se dirige até a porta e a tranca por dentro.  Em Eduardo.

CENA 07/ EMISSORA TVV/ INTERIOR/ PRESIDÊNCIA/ TARDE.

Uma grande cortina é aberta, dando vista a uma bela paisagem do Rio de Janeiro. Uma mulher branca, baixinha e de cabelos escuros, limpa todo o cômodo grandioso, coloca cada objeto em devido lugar, mesas, cadeiras e liga um pequeno robô, em cima da mesa.

Mulher: Está tudo limpo, Félix. 

O robô, com uma voz rouca, responde.:

Félix: Agradecido, Marcelina.

Marcelina (pretensiosa): Ainda sonho em conhecer o homem por trás dessa maquina. O senhor deve ser tão lindo quanto o raio de sol, que ilumina o amanhã. 

A porta é batida diversas vezes, de forma bruta.

Eduardo: (em off – fora da sala) Abre essa porta, Félix, antes que eu te transforme em campainha de centro de idosos.

Félix: Não abra essa porta nem se passarmos pela a era dos mortos. 

A porta cai no chão e Eduardo surge do outro lado, elevando as mãos na cintura. 

Eduardo: Faço a Beyoncé em Crazy In Love, meu bem.

Eduardo entra na sala, desfilando e encara a mulher, assustada, ao lado do robô. 

Eduardo: Sai daqui, projeto desfeito de Sheila, volta para o seu chiqueiro.

Marcelina se retira correndo e assustada. 

Félix: O que aconteceu contigo?

Eduardo: Pergunta isso? Viu a cor de meu salário? 

Eduardo segura o robô nas mãos. 

Eduardo: Sei muito bem onde você mora, Glades Félix! Te destruo apenas com o soar de meu silicone.

Félix: Caso não deseja, encontre outra emissora para pegar a recisão! 

Marcelina reaparece, com quatro seguranças fortões. 

Marcelina: (Ordena) Tirem-no daqui!

Eduardo reage, olha para os seguranças e se joga no colo deles.

Eduardo: Me levem pelo o colo, me segurem, me amarrem e me taquem na parede! 

Os seguranças puxam o entrevistador. 

Eduardo: Podem abusar à vontade. 

CENA 08/ EMISSORA TVV/ EXTERIOR/ TARDE.

Eduardo desce as longas escadarias da saída da emissora segurando a bolsa em mãos. Uma pessoa o incomoda no meio do caminho. 

Eduardo: Ah... William Araujo. Já amanheceu ou ainda está no ainda? Vaza William, corre de volta para o Acre, que estou sem paciência para gente estrangeira.

William: Quero dizer que sou muito fã do senhor, minha família toda gosta dos seus programas de entrevistas, minha avó, meu pai, meus irmãos, as capivaras...

Eduardo: A boiada, periquito, papagaio, os cardumes de peixe. Alias, você mora interligado com a África, né? (Ri) Manda um beijo para os figurantes de Psicose.

Eduardo se retira, entrando na limusine, estacionada ao fim das escadas, com o auxilio de Idalécio. William permanece parado e olha para a câmera. 

William: (Lamenta) Só queria um autografo. 

CENA 09/ BELAS HISTÓRIAS/ INTERIOR/ PRESIDÊNCIA/ TARDE.

Uma mulher loira de olhos azuis, vestindo uma roupa casual preta, coloca as mãos sobre o mouse, olha para Eduardo Amaral, a sua frente, sentado numa cadeira, atrás da mesa da mulher, que porta uma expressão duvidosa. A sala está completamente arrumada. Quadros na parede, algumas fotos espalhadas na mesa e prêmios na instante. 

Mulher: Seria um bom negócio para o BH, Eduardo?

Eduardo: Claro, Barbara, só gastaria 10 milhões de indenização pra TV Virtual, mas o restante é bobagem. 

Barbara tosse algumas vezes, pega um copo de cristal e o enche de água da jarra. 

Barbara: (abismada) 10 milhões?

Bebe a água.

Eduardo: Nada para uma emissora de alto porte como o Belas Histórias, não é lindinha?

Barbara: Infelizmente, temos que conter algumas despesas, por causa de alguns problemas com a publicidade.

Eduardo: Já devia saber. 

Eduardo levanta da cadeira.

Eduardo: Tá assim por causa do flop de Taylor? Então, querida, beijinhos, beijinhos e tchau, tchau. 

CENA 10/BELAS HISTÓRIAS/ INTERIOR/ CORREDORES/ TARDE.

O celular de Eduardo toca na bolsa, o entrevistador retira e atende.

Eduardo: Fale Yuri, a casa está pegando fogo?

Yuri (em off): Minha linda santa, pense bem nas suas atitudes, por favor! Os jornais de fofocas, só falam a seu respeito.

Eduardo: Falam mentiras, não vou sair da TVV.

Yuri: Irá aceitar os 800 mil?

Eduardo: Só pelo o primeiro mês, baby, depois retorna aos 3 milhões de dólares.

Yuri: Reais.


Eduardo: Tanto faz, queridinho, o que importa é que eu continuo sendo a Oprah Winfrey brasileira.

Eduardo desliga o aparelho e continua a andar, em direção à saída. 


CENA 11/BELAS HISTÓRIAS/ EXTERIOR/ TARDE.

Eduardo entra na limusine, segura a taça e, em seguida, o enche com o espumante da marca cidra. O automóvel começa a andar, mas para, antes mesmo de sair da fachada emissora, estressando o entrevistador, que desce do veículo. Logo à frente, um fusca azul bebê, está enguiçado. 

Eduardo: Quem será, nesse fusquinha de merda? 

Um homem loiro desce do fusca e grita, se aproximando de Eduardo: 

Homem: Eduardo! Meu Deus! Sou seu fã! Meu nome é Leonardo de Castro, quero ser entrevistado.

Eduardo: Você é mais de 130 milhões de brasileiros, né?

Ele acaricia as mãos do entrevistador, que se afasta, com nojo.

Leonardo: Te amo, diva! 

Eduardo regressa para o carro, abre a janela e grita: 

Eduardo: Acelera Idalécio, passa por cima se possível, mas não quero me misturar com essa (Tom) gentinha. 

Eduardo olha para a câmera e levanta a taça. 

Eduardo: Faço a Avril e fico longe dos fãs, afinal, não quero me contaminar com o ar de pobre.

FADE TO BLACK.


Uma série de
Eduardo Amaral
Luiz Gustavo
Márcio Gabriel

Episódio escrito por
Luiz Gustavo
Márcio Gabriel

Revisão de texto
Félix Crítica

COPYRIGHT 2014
TODOS OS DIREITOS RESERVADOS

quinta-feira, 11 de setembro de 2014

Me... I Am... Dudu Jean - Episódio 3


EPISÓDIO 1x03
“RETALIATION”
PARTE 2


CENA 1 – MANSÃO AMARAL/ INTERIOR/ QUARTO/ DIA.

Fade in em uma xícara de capucino, bem quente, sobre uma bandeja preta. Yuri, segurando a bandeja, bate na porta e, em seguida, entra no quarto de Eduardo. Este, sentado na beirada da sua grande cama de casal, terminando de abotoar o blazer e falando ao celular.



Eduardo: Pois é, Zih, amiga, querida! Eu bem que queria alguém pra dividir essa cama comigo. 

Yuri se aproxima e oferece a bandeja.

Yuri: Soberano? 

Eduardo: (ao telefone) Só um instante, querida. (olha, com ira, para Yuri) Fale. 

Eduardo olha para a bandeja e pega a xícara.

Yuri: É que o motorista está reclamando da demora. E ele disse que não pode demorar muito, pois precisa levar o autor Márcio Gabriel e os atores para as gravações da novela dele. 

Eduardo: É muita petulância! Por que não enfiam essa reca dentro de uma van, hein? Aff, não se faz mais serviçais como antigamente. Diga ao Idalécio, que espere mais um pouco. Ele bem que deveria saber que damas como eu demoram a se produzir. (se levanta da cama) E como você pode ver, Yuri, eu estou quase pronto. Vou terminar de contar os babados à minha amiga Zih e daqui a pouco eu desço o morro. Quer dizer, saio da mansão. 

Yuri: Como quiser. (faz reverência) 

Yuri sai. Eduardo volta ao celular, enquanto saboreia o café.

Eduardo: Então, amiga, como vão as coisas na WebTV? Pagam bem lá? Por que na TVV eu estou quase pedindo arrego... 

CENA 2 – MANSÃO AMARAL/ EXTERIOR/ CALÇADA/ DIA.

A rua em frente à mansão de Eduardo Amaral está completamente deserta. Uma limusine preta está estacionada na calçada e um homem negro, careca e alto, vestindo um terno de motorista, está sentado no capô do veículo, falando ao telefone. Nota-se um forte sotaque em sua fala. 

Motorista: Alô! Aqui é o Idalécio. Tô ligando pra avisar que eu vou me atrasar, pois a criatura que faz as entrevistas na emissora de vocês está (tom irônico) demorando para se produzir.

CAM alterna com a sombra de uma pessoa, que se aproxima de Idalécio lentamente, por trás. 

CORTE DESCONTÍNUO. Um barulho de algo pesado se chocando pode ser escutado. Em seguida, uma barra de ferro cai ao lado do pneu do carro. Mais a frente, vê-se Idalécio, no chão, desacordado. A pessoa misteriosa surge no canto do vídeo e puxa Idalécio pelas pernas, distanciando seu corpo do carro. 

CENA 3 – MANSÃO AMARAL / EXTERIOR/ JARDIM/ DIA.

Eduardo, já arrumado, caminha em direção ao portão de saída da mansão. Destaque para a grande piscina que há em seu jardim, assim como as diversas roseiras. Ele continua a falar ao telefone com Zih. Yuri vem logo atrás do patrão. Nota-se que suas pernas curtas não dão conta de acompanhar o DJ, que o faz apertar os passos. 

Eduardo: Então, querida, aparece aqui em casa. Peço pro Yuri fazer um macarrão com salsichas para você. (ri; pausa) Tá ok, como você é minha amiga, eu vou abrir um Whiskas saché e colocar no pratinho. (pausa) Não se atrasa para a entrevista, em? Beijos! (desliga) Falsa... 

Eles chegam ao portão. 

Yuri: Tenha um bom trabalho, magnífico. 

Eduardo: Naquela emissora? Ganhando a mixaria que eu ganho? Duvido muito. Mas obrigado mesmo assim, filhotinho. (aperta as bochechas do empregado) 

CENA 4 – MANSÃO AMARAL/ EXTERIOR/ CALÇADA/ DIA.



A limusine continua estacionada na calçada da mansão, com a porta traseira aberta. O rádio do automóvel está ligado, tocando a mesma música da sonoplastia, num volume muito alto, o que impede Eduardo, que se aproxima, de se comunicar.

Do vidro escuro, mostra-se apenas uma sombra. Há alguém no banco do motorista. Eduardo bate no vidro e berra: 

Eduardo: IDALÉCIO! DESLIGA ESSE RÁDIO! 

Não há reação. Eduardo desiste e acaba por entrar na limusine. Fecha a porta. O motor é ligado e o veículo parte. Encerra-se, então, a sonoplastia.

Logo após a partida da limusine, um homem aparece, com uma cueca tipo samba-canção e uma regata branca. Na testa, um ferimento. Trata-se de Idalécio, que corre em direção ao veículo, tentando alcançá-lo. 

Idalécio: (grita) Parem este carro! Socorro! Polícia! Socorro! 

CENA 5 – RUAS DO RIO DE JANEIRO/ LIMUSINE/ INTERIOR/ DIA.

O barulho do rádio do carro continua. O interior da limusine é bem espaçoso, com poltronas acolchoadas. Há um frigobar, aberto, lotado de garrafas de champanhe, as quais Eduardo Amaral revira. 

Eduardo: (olha o rótulo de uma das garrafas e a devolve ao frigobar) Eu pedi champanhe francês e eles me trazem essa porcaria espanhola. 

Eduardo ouve a música que toca e faz careta. Ele bate no painel que separa a parte traseira da parte do motorista. 

Eduardo: Alô, “Idaléciô”! Dá pra desligar a porcaria desse rádio? (bate novamente no painel). Idalécio! (escandaliza) IDALÉCIO! 

Finalmente, a música para. 

Eduardo: Agora dá pra abaixar esse painel? (suaviza a voz) Estava com saudades de você, Idalécio, meu garanhão... Se quiser passar mais tarde lá em casa... Agora abaixa o painel, vai? 

Sem respostas. Edu fica irritado. 

Eduardo: Hello! Dá pra me obedecer? 

O painel começa a ser abaixado. Eduardo avista, sobre o volante, um homem de aproximadamente trinta anos, gordo, cabelos pretos, longos, amarrados, formando um rabo de cavalo. O homem vira o rosto para Eduardo e sorri. Falta-lhe um dos dentes. 

Homem: Saudades de mim? 

Edu observa o rosto do homem, mas balança a cabeça, alegando que não. 

Homem: Sou eu, Cristiano, sua paixão de infância. Como vai, Eduardo?

Suspense.

CENA 6 – TV VIRTUAL/ PRESIDÊNCIA/ INTERIOR/ DIA.

Um rapaz moreno, de terno, cabelos escuros, estatura média, de aproximadamente vinte anos, entra na sala. Ela é bastante espaçosa, com vários painéis metalizados com diversos botões piscando em cores variadas. Há um grande telão em uma das paredes, enquanto nas outras paredes, diversos monitores. 

O rapaz chega ao centro da sala e cruza os braços. De repente, outra porta, que mais parece uma passagem secreta, é aberta e dela surge um robô, que desliza pelo tapete da sala. O rapaz ruma até a poltrona e se senta. O robô fica parado. 

Rapaz: (autoritário) Félix, posso saber o que você estava fazendo no esconderijo? 

Félix: (voz robótica) Meu caro Luiz Gustavo, não te devo satisfações. Porém, como não sou de guardar segredos com os meus sócios, eu respondo: estava conferindo nossas barras de ouro. Este novo contratado que vocês tiraram do calçadão está praticamente desfalcando a nossa emissora. Quero retorno! 

Luiz Gustavo: Eu entendo que a primeira temporada do programa do Eduardo Amaral flopou, mas não é pra tanto desespero. Veja a concorrência, tentando inovar com escritores analfabetos e novelas psicografadas! Félix, meu caro, continuamos na liderança! 

Félix: Oitocentos mil está muito caro. Acho que deveríamos cortar o salário da criatura. Estamos tirando dos investimentos em efeitos especiais e investindo num entrevistador flopado! A crítica caiu em cima da explosão da Sheila em Faça Suas Apostas, você não viu? O autor veio reclamar ontem! 

Luiz Gustavo: E sem razão, né, Félix? Quem mandou plagiar a novela da Globo? Saramandaia mandou lembranças. Não sei como deixaram passar um texto daqueles, mas, enfim, voltando ao assunto Eduardo Amaral: peço que aguarde a estreia da temporada nova do programa dele. 

De repente, a cabeça do robô abaixa e ele para de funcionar. Uma fumaça sai de suas costas. Desesperado, Luiz Gustavo se levanta da poltrona e cutuca a máquina. 

Luiz Gustavo: Félix... (cutuca) Félix... (desiste) pifou. De novo! 

Luiz Gustavo dá um forte murro na lataria de Félix e ele volta a funcionar. 

Félix: O que houve? 

Luiz Gustavo: Te ressuscitei de novo! 

Félix: Acho que estou ficando velho... 

CENA 7 – TV VIRTUAL/ CORREDORES/ INTERIOR/ DIA.

Luiz Gustavo sai da sala da presidência e dá de cara com um garoto de aproximadamente dezenove anos de idade. Uma camiseta branca, escrito: “PRODUÇÃO” e um fone no ouvido. 

Luiz Gustavo: O que houve? 

Funcionário: Eduardo Amaral está atrasado de novo, pra variar! 

Luiz Gustavo: (incrédulo) O QUÊ? COMO ASSIM?! Já são quase onze da manhã! 

Funcionário: Pois é, eu já pedi pra Rosinha, a secretária, ligar pro celular dele, mas só dá desligado. No telefone da mansão, ninguém tá atendendo. Eu to achando que ele não vem hoje, hein... A gente precisa dele pra gravar, Sr. Luiz! A convidada já chegou e está esperando no camarim. 

Luiz deixa o produtor sozinho e anda em passos rápidos até o camarim. 

CENA 8 – TV VIRTUAL/ CAMARIM/ INTERIOR/ DIA. 

O camarim, luxuoso, está lotado com itens do desjejum, como frutas, sucos, pães finos e croissants. Zih, loira e magra, vestida em um vestido preto chique, se maquia na frente do espelho e tecla ao celular ao mesmo tempo. Alguém bate na porta. 

Zih: (guardando o celular) Entre! 

Luiz Gustavo: Oi, Zih! Vim avisar que o Edu vai se atrasar. 

Zih: Aff, pra variar, né? Olha, eu não tenho o dia todo livre hoje, viu? 

O celular de Zih vibra e ela o pega. Ao ler a mensagem, exibe uma cara de espanto. 

Luiz Gustavo: Que foi? 

Zih: O Idalécio, motorista de vocês, acabou de me mandar uma mensagem. 

Luiz Gustavo: Que mensagem? (p) Pera aí,  por que você tem o contato do motorista? 

Zih: (nervosa) Vai querer saber qual é a mensagem ou não? 

Luiz Gustavo: Desembucha logo, ué! 

Zih: (histérica) O EDU FOI SEQUESTRADO! 

CENA 9 – GALPÃO ABANDONADO/ INTERIOR/ DIA. 

O ambiente é escuro, mas é possível notar Eduardo Amaral amarrado numa cadeira de madeira, enquanto Cristiano o observa. 

Eduardo: (histérico) Me solta!!! ME SOLTA!!! 

Cristiano: (se aproxima de Edu e segura seu queixo) Não era isso o que você queria? Eu estou aqui, Dudu, em carne e osso, apenas pra você. 

Eduardo: (cara de nojo) Em carne e osso? Só se for em carne e banha! Menino... Academia não tá caro não. 

Cristiano: Então quer dizer que você só gostava de mim porque eu era bonitão, não é? (autoritário) Pois saiba que você me terá assim, gordo e feio, querendo ou não! 

Eduardo: Vai me estuprar? (começa a rir) 

Cristiano solta Eduardo e o olha com interrogação. 

Cristiano: Que foi? 

Eduardo: Menino, minha gruta tá mais aberta que a da Gretchen fazendo baliza em fanfarra. E olha, você nunca terá o meu corpinho sedutor. Sabe por quê? Por que você, querido, é um fracassado. Se naquele tempo eu era um excluído e deixei você me humilhar, hoje as coisas se inverteram. 

Cristiano: Só que debaixo da terra, infelizmente, as pessoas ficam do mesmo jeito. 

Cristiano saca seu revólver e aponta para a testa de Edu.

Eduardo: (disfarçando o medo) Queri/ querido... Ninguém... Ninguém é mais poderoso do que Deus e eu! Não sou covarde, já to pronta pro combate! 

Cristiano puxa o gatilho. 

Cristiano: Dudu, se você não for meu, não vai ser demais ninguém. (ri; psicótico) Vai ter que cantar beijinho no ombro lá no inferno. 

Eduardo engole a seco enquanto Cristiano pressiona a arma sobre a sua testa. 

CENA 10 – GALPÃO ABANDONADO/ EXTERIOR/ DIA.

Um carro da polícia, em alta velocidade, é estacionado em frente ao galpão. Dele, saem três policiais loiros e fardados de azul. Logo atrás, outro carro também é estacionado. Dele, saem Luiz Gustavo, Zih e Idalécio. 

Idalécio: Pelo que foi passado no rastreamento da limusine, é pro Edu estar aqui. 

Zih: Espero que o meu amigo esteja bem. Mas eu não vou entrar no galpão... Vai que foi um maníaco que levou o Edu só para esquarteja-lo?

Luiz Gustavo: Menina, vira essa boca pra lá! Se o Edu morrer, a TVV vai precisar pagar uma indenização milionária pra família dele lá na Bahia. Aí a gente fecha as portas mesmo... 

Idalécio: Vocês preocupados com o dinheiro e eu preocupado com o Edu. Como será que ele está? 

Os três observam os policias arrombarem a porta de madeira do galpão. 

CENA 11 – GALPÃO ABANDONADO/ INTERIOR/ DIA.

Os policias derrubam a porta do galpão com chutes e finalmente entram. Cristiano, surpreendido, agarra Eduardo pelo pescoço. Os policias, armados, apontam suas armas para Cristiano, que mantém Edu como refém. 

Eduardo: Que policias gatos! Vieram me salvar? Viu, Cristiano, como não existe ninguém mais poderoso no mundo do que Deus e eu? (gargalha) 

Policial #1: Largue a arma e poderemos negociar! 

Cristiano: Eduardo Amaral só sai daqui morto! 

Eduardo: Pode sair do seu esconderijo, Sílvio Santos! Eu sei que é uma câmera escondida... E me solta Cristiano, tá doendo o meu pescoço! 

Cristiano pressiona seu pescoço com mais força. 

Cristiano: Te solto uma ova! 

Eduardo: Ovo? 

Eduardo, com sua mão direita, agarra a genitália de Cristiano e puxa para baixo, o que deixa o bandido urrando de dor. Caído no chão, Cristiano se retorce e deixa Eduardo livre para correr para os outros dois policias, enquanto o primeiro algema o sequestrador. 

Eduardo: Era isso o que eu fazia lá no Portal Cuequinha quando não pagavam meu salário em dia. E eu vou aproveitar e fazer isso no Luiz Gustavo também. Mas agora... (Eduardo observa os dois policiais e passa a mão nos peitorais dos dois) Eu estou meio tonto e não consigo andar. 

Edu finge um desmaio e antes de cair no chão, os policiais o apartam. 

CENA 12 – GALPÃO ABANDONADO/ EXTERIOR/ DIA. 

Um dos policiais sai do galpão com Cristiano, algemado. O bandido é colocado dentro da viatura. Segundos depois, Eduardo sai, sendo carregado pelos outros dois policiais. O entrevistador solta beijinhos para Luiz Gustavo, Idalécio e Zih, que observam tudo perto dali. 

Eduardo: Eu acho que estou no paraíso! Não me coloquem no chão, meninos! Não sinto minhas pernas. Socorroney! Acho que estou me sentindo a Britney em “Criminal”.



Eduardo começa a cantarolar a música de Britney Spears.

LEGENDA: FIM DO EPISÓDIO.


Uma série de
Eduardo Amaral
Luiz Gustavo
Márcio Gabriel

Episódio escrito por
Luiz Gustavo
Márcio Gabriel

Revisão de texto
Félix Crítica

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